Pesquisadores da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) realizaram uma descoberta inédita ao identificar uma nova espécie de besouro, o Besouro Saltador dos Campos Gerais.
Esse pequeno inseto, que mede entre 6 e 9 milímetros, impressiona não só pelo seu porte, mas principalmente pela capacidade de saltar até 30 vezes o seu tamanho. A pesquisa foi conduzida pela professora Mara Cristina de Almeida, juntamente com os mestrandos Raylen Ramos e Bruno Begha, durante estudos no Laboratório de Genética e Evolução (Labgev).
À primeira vista, o besouro lembra uma joaninha devido às suas manchas vermelhas e brancas. Essa semelhança visual pode enganar quem observa de longe, mas sua habilidade de saltar o destaca imediatamente.
O inseto é encontrado principalmente no Sul do Brasil, especialmente no Paraná, e em algumas áreas do estado de São Paulo.
Da coleta à identificação
A equipe coletou 52 exemplares no distrito rural de Itaiacoca, próximo a Ponta Grossa. Durante o trabalho no laboratório, notaram que, apesar da morfologia semelhante a outras espécies de besouros-saltadores, a contagem e o comportamento dos cromossomos eram distintos.
Essa descoberta cromossômica indicava a presença de uma espécie ainda não descrita pela ciência. Assim, após análises detalhadas, o besouro recebeu o nome científico de Alagoasa neoequestris.
A pesquisa aprofundou-se no estudo dos cromossomos e nas análises moleculares para diferenciar claramente essa nova espécie das já conhecidas. Além disso, a equipe observou com atenção as estruturas anatômicas, como a genitália dos insetos, que funciona como um sistema “chave-fechadura”.
Essa característica única em machos e fêmeas é um critério fundamental para a identificação precisa das espécies.
A descoberta ganhou destaque ao ser publicada na revista internacional Zoologischer Anzeiger, um importante veículo na área de zoologia. O Besouro Saltador dos Campos Gerais passa a ser um símbolo da biodiversidade local e um estímulo para futuras investigações sobre a fauna regional.






