Uma operação realizada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) revelou que trabalhadores contratados por uma empresa terceirizada que presta serviços à Pluma Agroavícola — fornecedora de insumos ao Instituto Butantan — estavam sendo submetidos a condições degradantes, caracterizadas como trabalho análogo à escravidão.
A fiscalização ocorreu em granjas localizadas na zona rural do Paranoá, no Distrito Federal, e resultou no resgate de 23 pessoas.
Fornecedora do Butantan é alvo por práticas análogas à escravidão
Durante a ação, que contou com o apoio do Ministério Público do Trabalho e da Polícia Federal, foram identificadas diversas irregularidades que acarcterizavam trabalho análogo à escravidão.
Os trabalhadores, vindos de outros estados, viviam em alojamentos precários, sem acesso a água potável, colchões adequados ou estruturas básicas para higiene e alimentação.
As refeições eram preparadas nos próprios quartos, em fogareiros improvisados, com água retirada de um lago da fazenda. Além disso, os custos com transporte e alimentos eram descontados diretamente dos salários.
Embora a contratação tenha sido feita por uma empresa terceirizada, a investigação apontou que era a própria Pluma quem organizava as atividades: definia tarefas, fornecia equipamentos e comercializava a produção.
Na prática, a terceirização servia apenas como uma fachada para reduzir custos e afastar a responsabilidade direta da empregadora.
Os trabalhadores em situação análoga à escravidão recebiam por produtividade, muitas vezes sem comprovantes ou clareza sobre o valor do pagamento — frequentemente insuficiente para alcançar o salário mínimo.
Trabalho análogo à escravidão resultou em indenizações de mais de R$ 3 milhões
A gravidade da situação levou à assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre a Pluma e o Ministério Público do Trabalho.
Pelo acordo, a empresa se comprometeu a pagar mais de R$ 3 milhões em indenizações e a adotar uma série de medidas para evitar a repetição das violações.
Apesar disso, a empresa não reconheceu responsabilidade criminal, alegando que os empregados resgatados não faziam parte de seu quadro funcional direto.
Em nota, a Pluma declarou ter encerrado imediatamente o contrato com a terceirizada após os fatos e afirmou que hoje contrata diretamente todos os seus funcionários.
O Instituto Butantan, que mantém contrato com a empresa até agosto de 2025 para fornecimento de ovos utilizados na produção de vacinas, informou que não foi oficialmente notificado sobre a autuação.
A fiscalização permanece atenta e novas ações não estão descartadas.






