A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, retornou nesta quarta-feira (2) ao Congresso Nacional para participar de uma audiência pública na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados.
Convidada para explicar ações de combate ao desmatamento e aos incêndios florestais, Marina voltou a ser alvo de insultos pessoais, ataques machistas e comparações agressivas, repetindo um padrão que já havia ocorrido em outra audiência no Senado, no mês anterior.
Audiência na Câmara teve Marina Silva como alvo de ataques novamente
Durante mais de cinco horas de sessão, parlamentares ligados à bancada ruralista, muitos deles alinhados ao bolsonarismo, protagonizaram uma série de ataques verbais à ministra Marina Silva.
O deputado Evair de Melo (PP-ES), responsável pelo pedido de convocação, foi um dos mais ofensivos. Ele comparou Marina a grupos armados como as Farc e o Hamas, retomando falas anteriores em que chegou a associá-la a um “câncer”.
Embora tenha afirmado que se retratou da comparação anterior, manteve o tom agressivo ao acusar a ministra de representar uma ideologia “conspiratória”. Como de costume, nenhuma prova das acusações foi apresentada.
Outros parlamentares seguiram a mesma linha. O deputado Cabo Gilberto (PL-PB), por exemplo, interrompeu Marina pedindo que ela “mantivesse a calma” no momento em que ela defendia, com firmeza, as ações de sua pasta.
A ministra reagiu, classificando a fala como uma tentativa de silenciamento, com viés machista, ao destacar que homens em situação semelhante não costumam ser censurados por expressar firmeza.
Já o deputado Zé Trovão (PL-SC) chegou a dizer que Marina era uma “vergonha como ministra”, enquanto Capitão Alberto Neto (PL-AM) insinuou que ela estaria prestes a deixar o governo.
Marina Silva cumpriu seu dever no Congresso e apresentou dados positivos de seu trabalho
Apesar das provocações, Marina Silva manteve o tom sereno e respondeu aos ataques destacando sua fé e compromisso com a justiça. Citou ensinamentos bíblicos e disse que prefere “sofrer injustiças a cometê-las”.
Também apresentou dados positivos, como a redução de 46% no desmatamento da Amazônia e de 32% no país, e ressaltou que a maior parte dos produtores rurais cumpre a legislação ambiental.
A audiência desta quarta reproduziu o clima hostil visto em maio, quando a ministra abandonou uma sessão no Senado após ser desrespeitada.
O novo episódio reforça a escalada de ataques misóginos que têm marcado sua presença no Legislativo, em meio ao embate entre a agenda ambiental do governo e setores do agronegócio.






