De cada 20 cidadãos em Fortaleza, um recebe o Benefício de Prestação Continuada (BPC), um dado que ilustra a dimensão da dependência social por esse auxílio no município.
Com 134,8 mil beneficiários, Fortaleza ocupa a terceira posição nacional em números absolutos, atrás apenas das gigantes São Paulo e Rio de Janeiro. Proporcionalmente, é a capital com a maior parcela da população recebendo o benefício, representando 5,5% dos moradores da cidade.
No contexto estadual, Fortaleza lidera disparadamente no número de beneficiários, seguida por Juazeiro do Norte e Caucaia. O montante destinado ao Ceará até agora ultrapassa R$ 623 milhões, atendendo mais de 410 mil pessoas.
Esse benefício é fundamental para a proteção social, especialmente em um Estado marcado por elevadas taxas de pobreza e baixo rendimento domiciliar per capita.
As novas regras para o BPC
Em abril de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou alterações nas regras do BPC, buscando tornar os critérios de elegibilidade mais claros e acessíveis. Entre as principais mudanças estão a exigência de CPF, inscrição no Cadastro Único e registro biométrico para os beneficiários.
Além disso, a renda familiar para elegibilidade foi definida como até 1/4 do salário mínimo por pessoa (R$ 379,50), e alguns valores passaram a ser excluídos do cálculo da renda.
Aumento do número de beneficiários
Especialistas alertam para o crescimento acelerado do número de beneficiários, que aumentou mais de 50% nos últimos dois anos, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua.
Para o professor João Mário de França, da UFC, esse crescimento é impulsionado pelas condições socioeconômicas do Ceará, agravadas pela pobreza e pela vulnerabilidade social.
No entanto, essa expansão representa um desafio para a sustentabilidade financeira do programa, já que o custo previsto do BPC pode crescer onze vezes até 2060, atingindo R$ 1,5 trilhão.
Impactos econômicos e sociais do BPC
O diretor da FGV Social, Marcelo Néri, destaca que o BPC, junto com programas como o Bolsa Família, foi essencial para a redução das desigualdades e para a expansão da renda no Ceará e no Nordeste.
Além de melhorar diretamente a vida dos beneficiários, esses programas fomentam a economia local ao aumentar o consumo e movimentar o mercado de trabalho.
Porém, Marcelo também ressalta que o ritmo atual de crescimento do BPC não é sustentável e recomenda moderação para evitar impactos fiscais insustentáveis no futuro.
Principais cidades cearenses com maior número de beneficiários do BPC
- Fortaleza: 134,8 mil
- Juazeiro do Norte: 17,3 mil
- Caucaia: 16,1 mil
- Maracanaú: 12,8 mil
- Sobral: 11,2 mil
- Crato: 8,5 mil
- Maranguape: 7 mil
- Quixadá: 6,6 mil
- Iguatu: 5,9 mil
- Itapipoca: 5,7 mil
O desafio do governo será equilibrar a ampliação da proteção social com a responsabilidade fiscal, garantindo que o benefício continue existindo e cumprindo seu papel de combate à pobreza, sem comprometer as contas públicas.





