A crise na contratação de funcionários no setor supermercadista brasileiro tem acendido um alerta entre empresas e entidades representativas. Mesmo com cerca de 350 mil vagas abertas, os supermercados enfrentam uma dificuldade crescente para atrair trabalhadores, especialmente os mais jovens.
O que antes era visto como uma das principais portas de entrada para o primeiro emprego agora disputa espaço com o avanço da informalidade e com modelos de trabalho mais flexíveis.
Diante desse cenário, uma iniciativa inusitada vem ganhando força com a parceria com o Exército Brasileiro para suprir a demanda de mão de obra no setor.
Jovens e o mercado formal
O primeiro emprego em supermercados já foi uma tradição consolidada no Brasil. No entanto, nos últimos anos, mudanças no perfil dos jovens trabalhadores vêm afastando esse público do setor.
A busca por maior flexibilidade, informalidade e autonomia tem levado muitos a optarem por trabalhos em aplicativos, vendas online e outras atividades sem vínculo formal.
Além disso, a baixa taxa de desemprego, atualmente em torno dos 7%, tem provocado uma escassez geral de mão de obra, sobretudo para cargos operacionais, como operadores de caixa, repositores e auxiliares de loja.
Parceria com o exército
Com o objetivo de enfrentar esse desafio, a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) estabeleceu um acordo com o Exército Brasileiro para recrutar jovens recém-egressos do serviço militar obrigatório.
A proposta é aproveitar o perfil disciplinado e a formação básica desses jovens para inseri-los no mercado formal de trabalho, oferecendo planos de desenvolvimento profissional e capacitação contínua.
A parceria contempla ainda o mapeamento de perfis, o que permite direcionar os candidatos para funções mais adequadas às suas habilidades, facilitando a integração e a retenção desses novos colaboradores.
Força de trabalho mais diversa
Além de recorrer aos militares, o setor supermercadista também busca ampliar sua força de trabalho através da diversidade etária. Pessoas com mais de 60 anos vêm sendo cada vez mais valorizadas, tanto pela experiência acumulada quanto pela disponibilidade para exercer funções com dedicação e comprometimento.
Essa abertura intergeracional é uma resposta direta ao esvaziamento de interesse por parte dos jovens e representa um passo importante na inclusão social de públicos muitas vezes ignorados pelo mercado.
Um novo modelo em debate
Reconhecendo que o modelo tradicional de contratação já não atende às novas dinâmicas do mercado, a Abras propõe a criação de jornadas mais flexíveis.
Em parceria com o Ministério do Trabalho, a entidade estuda a formação de um comitê técnico voltado à formulação de propostas que contemplem contratos adaptáveis à realidade dos candidatos, especialmente os que buscam conciliar trabalho com estudo, cuidados familiares ou outras atividades.
A ideia é não apenas preencher as vagas ociosas, mas requalificar o ambiente de trabalho no setor, tornando-o mais atrativo, competitivo e alinhado às novas exigências da força de trabalho.
Resta saber se essas estratégias conseguirão não só suprir a demanda atual, mas reposicionar o setor supermercadista como um polo atrativo de emprego e carreira no Brasil.






