Um estudo internacional, publicado no Psychological Bulletin e baseado na análise de dados de quase 300 mil crianças, identificou essa associação preocupante entre o uso excessivo de dispositivos eletrônicos — como celulares, tablets, computadores, televisores e videogames — e o surgimento de problemas emocionais.
Além disso, os dados revelam que a relação entre telas e saúde emocional é bidirecional: crianças que já enfrentam dificuldades emocionais tendem a recorrer às telas como uma forma de escape, o que pode intensificar ainda mais os sintomas.
Problemas emocionais pelo tempo de tela
Os videogames se destacaram como os meios digitais com os efeitos mais negativos entre os analisados no estudo. Crianças de 6 a 10 anos que utilizam esses jogos com frequência apresentaram maiores índices de agressividade, ansiedade e baixa autoestima.
Embora o uso moderado da tecnologia possa ter aspectos positivos, especialistas alertam para os perigos do excesso, especialmente quando os jogos envolvem conteúdos violentos ou estímulos intensos, e não são acompanhados por adultos.
Outro ponto relevante da pesquisa é a consistência dos resultados em diferentes partes do mundo. Os impactos negativos foram semelhantes em países das Américas, Europa, Ásia e Oriente Médio, independentemente de contextos culturais ou socioeconômicos. Isso reforça a importância de uma atenção global à gestão do tempo de tela na infância, com foco em equilíbrio, supervisão e bem-estar emocional.
Recomendações para as crianças
Diante dos efeitos do uso excessivo de telas, especialistas recomendam que pais e responsáveis adotem uma mediação ativa. As principais orientações incluem:
- Estabelecer limites de tempo, conforme a idade: Até 1 hora por dia para crianças de 2 a 5 anos. Até 2 horas por dia para crianças de 6 a 10 anos (SBP)
- Acompanhar o conteúdo acessado, garantindo que seja adequado à faixa etária.
- Oferecer alternativas envolventes, como: Atividades ao ar livre; leitura; jogos de tabuleiro; brincadeiras criativas
- Dar o exemplo, reduzindo o uso de telas no dia a dia, especialmente em momentos de convivência.
- Criar momentos e espaços sem telas, como o quarto, a hora das refeições e o período antes de dormir.
- Reforçar positivamente escolhas offline, elogiando quando a criança opta por atividades longe das telas.
O objetivo não é proibir, mas ensinar o uso equilibrado e saudável da tecnologia desde cedo.






