O governo brasileiro já deu o primeiro passo rumo à próxima geração da televisão aberta. No fim de 2024, foi concluído e enviado à Casa Civil o decreto que trata da implementação da chamada TV 3.0.
A proposta, liderada pelo Ministério das Comunicações, estabelece as bases técnicas para a adoção de um novo padrão de transmissão no país.
Apesar de não obrigar imediatamente a troca de aparelhos, a medida sinaliza uma transformação significativa na forma como os brasileiros assistem à TV, e, com ela, a necessidade de adaptação — seja com a compra de um conversor digital ou de um televisor compatível.
Haverá, no entanto, um período de transição de uma década, semelhante ao que ocorreu nos últimos anos com a migração da tecnologia analógica para a digital.
Decreto pode forçar brasileiros a comprar novas TVs
A TV 3.0 representa um salto tecnológico importante. O novo sistema combina sinal de alta definição com recursos interativos, som imersivo e integração com a internet.
O formato adotado, baseado no padrão ATSC 3.0 — desenvolvido nos Estados Unidos e na Coreia do Sul — permitirá que emissoras ofereçam conteúdo sob demanda, como séries e programas extras, além de serviços personalizados.
Outro diferencial é a possibilidade de acessar os canais abertos por meio de aplicativos, o que permitirá experiências semelhantes às de plataformas de streaming.
Ou seja, com a nova tecnologia, mesmo sem conexão com a internet, os usuários terão acesso à imagem em 4K e som de qualidade superior ao que a TV digital atual oferece.
O decreto enviado pelo governo detalha o modelo técnico da nova TV aberta, define o padrão de transmissão, e traça um cronograma para sua adoção.
Ele também prevê medidas para garantir que a população de baixa renda tenha acesso à nova tecnologia, incluindo a possibilidade de distribuição gratuita de conversores.
Nova tecnologia será implementada, mas consumidor só troca sua TV se quiser
Importante destacar que o decreto não impõe uma obrigação em relação a substituição imediata dos televisores. As TVs atuais continuarão funcionando com o sinal digital convencional durante os próximos dez anos.
A transição será gradual, e os aparelhos lançados nos próximos anos já virão preparados para a nova tecnologia, tornando a adaptação algo natural à medida que consumidores renovarem seus equipamentos.
Além disso, quem quiser continuar com sua TV atual só precisará comprar um conversor, que atualmente gira em torno dos R$ 400, mas após a implementação da novidade deve baixar de preço e ser muito ofertado, assim como já ocorreu com o conversor digital.
A expectativa é que a nova tecnologia comece a ser implantada em 2025 e esteja em funcionamento pleno até a Copa do Mundo de 2026. Até lá, a mudança será opcional — mas inevitável a longo prazo.





