Durante décadas, os bancos mantiveram uma fórmula conhecida: ofereciam aos clientes pacotes bancários com serviços financeiros como transferências, saques e emissão de cheques, mediante o pagamento de tarifas mensais. Essa era a norma. No entanto, o cenário começou a mudar.
A crescente adesão ao Pix — sistema de pagamento instantâneo e gratuito criado pelo Banco Central — redesenhou o panorama das finanças pessoais no Brasil. Hoje, os pacotes que mais ganham espaço nos grandes bancos não envolvem necessariamente serviços financeiros.
Em seu lugar, surgem assinaturas mensais que incluem benefícios como streaming, seguros e ingressos de cinema. Os bancos chamam isso de “comodidade”; analistas, de reação a perdas bilionárias.
Bancos apostam em pacotes não bancários para aumentar receita
Tradicionalmente, os pacotes bancários ofereciam aos clientes vantagens como TEDs ilimitadas, saques mensais sem custo adicional e uso de folhas de cheque.
Com a popularização do Pix, muitas dessas facilidades perderam valor. As transferências, que antes geravam boa parte das receitas com tarifas, passaram a ser feitas em segundos e sem custo.
A concorrência das fintechs e bancos digitais, que oferecem contas gratuitas com funcionalidades digitais, acentuou ainda mais essa transformação. O modelo antigo, baseado em tarifas por operações básicas, começou a desmoronar.
Para contornar essa perda, bancos passaram a ofertar pacotes com serviços de conveniência não financeiros. Esses combos, com valores mensais que variam entre R$ 16 e R$ 99, incluem desde acesso a plataformas de streaming até assistência para pets e crédito em aplicativos de delivery.
Instituições como Itaú, Banco do Brasil, Caixa e Santander já incorporaram esse modelo, que visa tanto fidelizar o cliente quanto recuperar parte da receita perdida.
Novidade dos bancos exige atenção dos clientes com cobranças indevidas
Apesar da promessa de personalização e valor agregado, a prática vem sendo alvo de críticas. Em sites de defesa do consumidor, há relatos de cobranças não autorizadas e dificuldades para o cancelamento.
Alguns clientes relatam terem sido incluídos nos combos sem consentimento explícito, ou surpreendidos com a cobrança simultânea de pacotes bancários e não bancários.
Os bancos, por sua vez, afirmam que os serviços são opcionais, de contratação fácil e cancelamento simplificado. Alegam ainda que os pacotes são parte de uma estratégia de relacionamento e liberdade de escolha.
Especialistas em defesa do consumidor alertam para a importância de ler atentamente os termos dos pacotes, verificar se os serviços são realmente utilizados e monitorar o extrato bancário com frequência. Em caso de cobrança indevida, o cliente tem direito à devolução em dobro.





