Uma pesquisa recente divulgada na revista Nature Geoscience revelou novos insights sobre o processo geológico que está fragmentando o continente africano. Essa ruptura ocorre na região de Afar, situada no Chifre da África, onde convergem três importantes sistemas de rifte tectônico: o Rifte Etíope Principal, o Rifte do Mar Vermelho e o Rifte do Golfo de Aden.
Essas fendas são zonas onde as placas tectônicas se afastam, provocando o afinamento e a eventual ruptura da crosta continental, possibilitando, assim, a formação de um novo oceano. O estudo, conduzido por Emma Watts e sua equipe, descobriu um mecanismo inovador que explica esse processo: pulsações rítmicas de uma pluma de manto quente localizada sob a região de Afar.
Pulsação da Terra
A pluma apresenta uma estrutura assimétrica, exibindo faixas químicas distintas que se repetem de forma periódica, semelhantes a códigos de barras geológicos. Esses pulsares correspondem a ondas ascendentes de material parcialmente fundido que emergem do manto profundo até a superfície terrestre, exercendo influência direta sobre a dinâmica das placas tectônicas que se encontram acima.
As oscilações desse manto, frequentemente comparadas a batimentos cardíacos, regulam a intensidade e a frequência do fluxo de material quente. Seu comportamento varia conforme a espessura da placa tectônica e a velocidade de afastamento das placas. Em regiões de expansão acelerada, como o Mar Vermelho, esses pulsos se propagam com maior eficiência, de maneira análoga a um pulso que circula por uma artéria estreita.
Novo oceano
Ao longo de milhões de anos, esse pulsar tem provocado a fragmentação da crosta terrestre na região, resultando na formação de uma nova bacia oceânica e no possível surgimento de uma grande ilha que englobaria parte do território etíope.
A pesquisa destaca a natureza dinâmica e complexa da interação entre o interior da Terra e sua superfície, evidenciando que as transformações, embora graduais, causarão mudanças geográficas significativas no futuro.





