A Justiça dos Estados Unidos determinou, nesta segunda-feira (23), a manutenção do fornecimento de combustível pela Raízen à companhia aérea Azul, após solicitação da empresa para impedir a suspensão do serviço. A decisão foi tomada no contexto da recuperação judicial da Azul, que tramita na justiça norte-americana.
Segundo documentos judiciais, a Azul acionou o tribunal no domingo (22), após a Raízen — uma das principais distribuidoras de combustível de aviação do Brasil — ter sinalizado a possível interrupção da oferta devido a um suposto inadimplemento relacionado à 12ª emissão de debêntures, apontado pelo agente fiduciário Vórtx.
Em uma correspondência de 18 de junho, anexada ao processo, a Raízen solicitou que a Azul se manifestasse com urgência sobre a regularização da pendência, uma vez que o prazo contratual para acionar o mecanismo de “Stop Supply” é de três dias úteis.
Risco à operação da Azul
No pedido apresentado à Justiça, a Azul alegou que a medida da Vórtx era “ilegal” e que a suspensão do fornecimento colocaria em risco sua capacidade de reestruturação, uma vez que a Raízen é responsável por cerca de 68% do abastecimento da empresa em rotas domésticas.
A companhia aérea também alertou que a interrupção, mesmo que temporária, poderia provocar uma “cascata de eventos”, com voos cancelados, aeronaves paradas e danos irreparáveis à reputação da empresa.
A Justiça norte-americana acolheu os argumentos e determinou que a Raízen não poderá suspender o fornecimento de combustível sem autorização prévia do tribunal.
Empresas não comentam decisão
Procuradas pela imprensa, a Vórtx declarou que não se pronuncia além dos comunicados oficiais ao mercado, enquanto a Raízen informou que não irá se manifestar sobre o caso.
A Raízen, uma joint venture entre a Shell e o grupo Cosan, possui infraestrutura em diversos aeroportos do país, o que torna sua atuação estratégica para a operação da Azul, especialmente em locais sem alternativas viáveis de abastecimento.






