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Novo medicamento cura pessoas com diabetes grave

Por Leticia Florenço
26/06/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Diabetes - Reprodução/Unsplash

Diabetes - Reprodução/Unsplash

Um estudo recente trouxe esperança para quem convive com a forma mais grave do diabetes tipo 1. Cientistas conseguiram algo inédito: curar 10 de 12 pacientes usando uma única infusão de células-tronco transformadas em células produtoras de insulina.

Um ano após o procedimento, esses pacientes não precisaram mais de insulina. Os outros dois reduziram drasticamente a quantidade necessária. A revelação foi feita durante o congresso anual da Associação Americana de Diabetes e publicada no respeitado The New England Journal of Medicine.

O que é o zimislecel?

O tratamento experimental, chamado zimislecel, foi desenvolvido pela empresa americana Vertex Pharmaceuticals e consiste em transformar células-tronco em células das ilhotas pancreáticas, as mesmas responsáveis por regular os níveis de glicose no sangue.

Após serem infundidas no organismo, essas novas células se instalam no pâncreas e passam a cumprir o papel que havia sido perdido no diabetes tipo 1: a produção de insulina.

Uma nova esperança para casos graves

Os pacientes escolhidos para o estudo sofriam de um tipo particularmente perigoso de diabetes: são aqueles que não percebem os sinais de hipoglicemia. Isso significa que podem desmaiar, sofrer convulsões ou até morrer por falta de glicose sem perceber o perigo.

Com a infusão, os episódios de hipoglicemia desapareceram já nos primeiros três meses. Em menos de seis meses, a maioria deixou de precisar de insulina.

Apesar dos resultados impressionantes, o zimislecel ainda está em fase de testes e precisa ser aprovado pela agência reguladora dos Estados Unidos (FDA) antes de ser disponibilizado comercialmente.

A empresa ainda não divulgou o possível custo do tratamento e afirma que mais estudos serão necessários para avaliar a eficácia em grupos mais diversos.

O desafio da imunossupressão

Como as novas células implantadas não pertencem ao corpo do paciente, é necessário o uso contínuo de medicação imunossupressora para evitar que o sistema imunológico ataque essas células.

Embora o regime usado neste estudo seja menos agressivo que em transplantes de órgãos, ele ainda representa um risco. Os pacientes ficam mais vulneráveis a infecções e, em longo prazo, pode haver um aumento do risco de câncer.

A necessidade de tomar esses medicamentos por toda a vida é um dos pontos em debate.

Mais de duas décadas de pesquisa

O sucesso do zimislecel é o resultado de mais de 25 anos de pesquisa científica. O projeto começou com Doug Melton, cientista de Harvard, motivado pelo diagnóstico de diabetes tipo 1 em seus dois filhos.

Foram anos de tentativas frustradas, testes laboratoriais e um investimento estimado em mais de US$ 50 milhões. Após encontrar a combinação química certa para transformar células-tronco em células pancreáticas funcionais, Melton uniu forças com a Vertex para tornar a ideia uma realidade clínica.

Se os próximos testes forem bem-sucedidos, a Vertex pretende submeter o tratamento à aprovação da FDA em breve. A expectativa é de que, no futuro, essa abordagem possa beneficiar não apenas pacientes com quadros graves, mas também outros com diabetes tipo 1.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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