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Prejuízo de R$ 10 bilhões é confirmado após fraudes bancárias

Por Leticia Florenço
24/06/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Fraude bancária - Reprodução/iStock

Fraude bancária - Reprodução/iStock

O Brasil enfrenta uma verdadeira epidemia silenciosa no setor financeiro: as fraudes bancárias. O salto de R$ 8,6 bilhões em perdas, registrado em 2023, para os impressionantes R$ 10,1 bilhões em 2024 representa um crescimento de 17% e reforça o estado de vulnerabilidade digital no país.

A combinação entre tecnologia avançada e a atuação cada vez mais sofisticada de criminosos tem exposto lacunas sérias na segurança digital de instituições bancárias e na formação dos usuários.

Golpes se diversificam com o avanço da tecnologia

Entre os golpes mais recorrentes estão os relacionados ao Pix, que sozinhos geraram perdas de quase R$ 5 bilhões no último ano. A facilidade e agilidade dessa ferramenta, que deveria ser sinônimo de comodidade, tornaram-se armas nas mãos de criminosos.

Os golpistas exploram QR codes falsos, perfis clonados, mensagens fraudulentas simulando familiares ou instituições oficiais, além de esquemas elaborados de engenharia social.

Não bastasse o Pix, os cartões de crédito e débito seguem no radar das fraudes. Clonagens, compras não reconhecidas e falsas transações online continuam em alta. O comércio eletrônico e falsas oportunidades de investimento completam o panorama caótico, oferecendo riscos tanto para pessoas físicas quanto jurídicas.

Perfil das vítimas

Estudos recentes mostram que 51% da população foi alvo de algum tipo de tentativa ou consumação de golpe bancário nos últimos 12 meses. Desses, cerca de 20% perderam entre R$ 1 mil e R$ 5 mil, enquanto outros relataram prejuízos ainda maiores.

A engenharia social é a principal aliada dos criminosos nesse cenário: eles apelam para o emocional, criam situações de urgência ou se passam por pessoas conhecidas, induzindo as vítimas a agir impulsivamente.

O valor médio perdido por fraude já chega a R$ 6 mil. Isso se deve à sofisticação das táticas criminosas, que agora envolvem até inteligência artificial e deepfakes, com vozes clonadas, vídeos falsos e sites que replicam perfeitamente as páginas de instituições bancárias.

Reação das instituições

Bancos e empresas têm redobrado os investimentos em segurança digital, com soluções baseadas em inteligência artificial, biometria e monitoramento em tempo real. No entanto, isso não é suficiente se o usuário final não estiver preparado para reconhecer ameaças.

É fundamental criar uma cultura de segurança cibernética, que envolva não apenas sistemas tecnológicos, mas também educação financeira e digital da população.

Treinamentos, campanhas de conscientização e programas de prevenção estão sendo adotados por algumas instituições, mas ainda de forma desigual e sem grande alcance.

A responsabilização das empresas de tecnologia e operadoras financeiras também precisa ser discutida, principalmente no que diz respeito à proteção dos dados dos usuários e à resposta rápida diante de fraudes.

Consequências econômicas

O impacto das fraudes bancárias vai além das perdas diretas. Para as empresas, cada real perdido pode custar até R$ 3,59, quando se somam os custos com investigação, estornos, taxas e ações judiciais.

Mais grave ainda é o dano à confiança do consumidor. Um em cada quatro brasileiros que sofreram golpes via Pix pensa em trocar de banco; outros cogitam encerrar suas contas digitais e voltar a usar somente dinheiro em espécie.

Como o cidadão pode se proteger?

Apesar do cenário alarmante, há formas eficazes de reduzir a exposição ao risco. Entre as medidas mais recomendadas estão:

  • Autenticação em dois fatores e biometria: Essenciais para garantir a identidade do usuário.
  • Verificação de remetentes e links: Nunca clicar em mensagens sem confirmar sua origem.
  • Não compartilhar códigos ou senhas: Nem mesmo com familiares ou amigos.
  • Monitoramento constante da conta: Qualquer movimentação estranha deve ser reportada imediatamente.
  • Educação contínua: Manter-se informado sobre novos golpes e participar de ações educativas pode fazer a diferença.

Somente com atenção, educação e uma atuação coordenada será possível transformar o ambiente financeiro digital em um espaço seguro para todos.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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