Pré-diabetes não deve ser encarada como uma condição menor ou passageira. Atualmente, sabemos que ela já é uma doença, e se não tratada adequadamente, avança rapidamente para o diabetes tipo 2, um quadro que impacta a saúde global do paciente e o sistema de saúde.
No Brasil, estima-se que entre 40 e 50 milhões de pessoas estejam nessa condição, o que torna urgente o desenvolvimento de tratamentos eficazes para impedir a progressão da doença.
Inovação no tratamento
Um avanço foi apresentado na reunião anual da Associação Americana de Diabetes (ADA), em Chicago: a combinação de duas moléculas, a semaglutida, já consagrada no tratamento do diabetes (como no Ozempic) e obesidade (Wegovy), com a cagrilintida, um analógico da amilina que age promovendo saciedade e retardando o esvaziamento gástrico.
Essa combinação, chamada CagriSema, mostrou resultados impressionantes em ensaios clínicos de fase 3, publicados no The New England Journal of Medicine, destacando-se pela alta eficácia na reversão da pré-diabetes e na perda de peso significativa.
Resultados dos estudos clínicos
O estudo REDEFINE 1, com mais de 3.400 adultos obesos sem diabetes, acompanhados por 68 semanas, revelou:
- Perda média de peso de 22,7% no grupo tratado com CagriSema.
- 60,2% dos participantes perderam mais de 20% do peso corporal.
- Quase 25% dos voluntários atingiram perda de peso igual ou superior a 30%.
- Melhora nos marcadores metabólicos: redução da pressão arterial, glicemia, colesterol LDL (ruim), triglicerídeos e diminuição da obesidade abdominal.
- Aumento do colesterol HDL (bom) em 14,1%.
No grupo com pré-diabetes, aproximadamente 87,7% dos participantes normalizaram seus níveis de glicemia, um dado que representa uma revolução no controle precoce do diabetes.
Efeito também para pacientes com diabetes
O REDEFINE 2 focou em pacientes que já convivem com diabetes tipo 2, um grupo que tradicionalmente encontra grandes dificuldades para perder peso devido a processos inflamatórios e danos celulares que afetam a regulação do apetite e metabolismo.
Neste grupo, o tratamento com CagriSema proporcionou uma perda média de peso de 13,7% em 68 semanas e melhorou o controle glicêmico:
- 73,6% dos pacientes alcançaram níveis de hemoglobina glicada (HbA1c) iguais ou inferiores a 6,5%, abaixo do limite considerado ideal para a maioria das pessoas com diabetes.
Segurança e tolerabilidade do tratamento
Apesar da alta eficácia, o uso da CagriSema apresentou efeitos colaterais gastrointestinais, como náuseas, vômitos e diarreia, com uma taxa de descontinuação de 6% a 8,4% devido a esses sintomas, algo comum em medicamentos que atuam no sistema digestivo.
Mesmo no grupo placebo, que não recebeu a medicação ativa, houve estabilização da glicemia em 32,2% dos participantes, reflexo das intervenções com dieta saudável e aumento da atividade física.
Isso reforça que a medicação deve ser combinada a mudanças comportamentais e acompanhamento médico para melhorar os resultados e garantir saúde a longo prazo.
É essencial que os pacientes entendam a importância de um tratamento contínuo e integrado, reconhecendo que medicamentos inovadores como a CagriSema são ferramentas poderosas, mas que o sucesso depende também de comprometimento e suporte médico.






