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Cerveja sem álcool tem vários riscos de doença, mesmo parecendo saudável

Por Leticia Florenço
23/06/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Cerveja - Reprodução/iStock

Cerveja - Reprodução/iStock

Ela está cada vez mais presente em festas, supermercados e cardápios. A cerveja sem álcool conquistou quem quer manter o sabor da tradicional bebida, mas sem os efeitos do etanol.

Prometida como uma alternativa mais leve e “fitness”, a verdade é que novas pesquisas científicas estão revelando uma realidade bem diferente, e preocupante.

Um estudo publicado na revista Nutrients, conduzido por pesquisadores da Alemanha e dos Estados Unidos, mostrou que o consumo regular de cerveja sem álcool pode trazer diversos malefícios à saúde metabólica, mesmo em pessoas jovens e saudáveis.

O que o estudo revelou sobre o consumo diário

Durante quatro semanas, homens saudáveis consumiram duas garrafas diárias de cerveja sem álcool. Os resultados foram surpreendentes e nada positivos: aumento dos níveis de açúcar no sangue, maior concentração de insulina circulante e elevação significativa do colesterol LDL e dos triglicerídeos.

Todos esses indicadores estão diretamente relacionados a doenças graves, como diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e distúrbios metabólicos silenciosos. Ou seja, aquilo que parecia uma escolha inofensiva passou a ser visto com desconfiança no meio científico.

Tipos de cerveja sem álcool com efeitos mais agressivos

O estudo ainda mostrou que nem todas as cervejas sem álcool são iguais. As que apresentaram os piores efeitos no metabolismo foram as versões de trigo e as “mistas”, que contêm refrigerantes saborizados.

Já as do tipo Pilsner, com até 0,5% de teor alcoólico e perfil mais leve, tiveram impacto menos intenso — embora ainda negativo. Mesmo as variações que aparentam ser mais naturais e discretas podem, com o consumo frequente, afetar o equilíbrio metabólico.

A popularidade crescente e o marketing do “saudável”

Com um mercado global que movimentou mais de US$ 20 bilhões em 2022, a cerveja sem álcool é cada vez mais promovida como uma alternativa segura ao álcool.

A expectativa é que esse mercado dobre até 2034. O problema é que o crescimento das vendas está alicerçado em uma ideia equivocada: de que a simples ausência de álcool já torna a bebida saudável.

Quando se observa a composição de muitas dessas cervejas, nota-se a presença de açúcares, aromatizantes e alto valor calórico, o que contradiz a imagem de um produto voltado ao bem-estar.

Os principais riscos escondidos no rótulo

A cerveja sem álcool, ao contrário do que se imagina, pode conter uma quantidade considerável de calorias, além de açúcares simples que elevam o índice glicêmico. Com isso, o consumo regular pode levar a resistência à insulina, ganho de peso, inflamação e aumento de gordura visceral.

O risco não está no álcool, mas no que foi adicionado para mascarar sua ausência. Em muitos casos, o “doce” da cerveja sem álcool se torna mais prejudicial do que o próprio etanol que ela busca substituir.

Há algum benefício nessa escolha?

Ainda que os dados alarmantes existam, alguns estudos menores apontam que a cerveja sem álcool pode oferecer vantagens pontuais, como redução de estresse oxidativo e menor risco de trombose.

Além disso, há indícios de que ela possa preservar a função endotelial, importante para a saúde dos vasos sanguíneos. No entanto, esses benefícios não compensam, até o momento, os danos já documentados.

E diferentemente da versão com álcool, a cerveja sem álcool não contribui para o aumento do HDL, o “colesterol bom”, que tem função protetora no sistema cardiovascular.

Moderação

Diante do cenário atual, o que se recomenda é cautela. Tomar uma cerveja sem álcool eventualmente, dentro de uma dieta equilibrada, rica em azeite de oliva, vegetais e com prática regular de exercícios físicos, não representa necessariamente um problema.

O perigo está no consumo diário, habitual, guiado pela falsa sensação de que se trata de uma bebida “neutra” ou “funcional”. Sem os devidos cuidados, esse hábito pode, silenciosamente, colaborar para o desenvolvimento de doenças crônicas.

Entender isso é essencial para fazer escolhas conscientes e realmente benéficas à saúde no longo prazo.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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