Mais conhecido por seu domínio do crime urbano e do tráfico de drogas, o Primeiro Comando da Capital (PCC) tem expandido sua atuação para além dos muros dos presídios e das favelas, alcançando grandes extensões rurais.
Segundo investigações recentes, o grupo criminoso possuiu e administrou, através de empresas de fachada e “laranjas”, mais de 511 mil hectares, uma área equivalente a pequenas regiões agrícolas inteiras.
Terras bloqueadas pela Justiça
Desde 2006, decisões judiciais têm bloqueado áreas em nome do PCC que chegam a rivalizar com as maiores holdings do agronegócio brasileiro.
Essa área, se estivesse formalmente sob controle da facção, a colocaria entre os cinco maiores “proprietários” rurais do país, logo após gigantes do setor como SLC Agrícola e Grupo Bom Futuro.
Tal dado demonstra que o grupo não está apenas lavando dinheiro, mas construindo um império estratégico no meio rural.
Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Pará
O mapa da presença do PCC no campo está concentrado em estados-chave para o agronegócio e o tráfico internacional: Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Pará.
Nessas regiões, fazendas de grande porte servem como bases logísticas para o armazenamento de drogas, pousos clandestinos de aeronaves e movimentação de armas. Em 2008, apenas no MS, 85 propriedades somando 368 mil hectares foram bloqueadas judicialmente.
Lavagem de dinheiro e operações fictícias
Além de usar essas terras para facilitar o crime, o PCC as utiliza para mascarar seus lucros ilícitos. Fazendas com operações fictícias de agricultura e pecuária, manipulação de notas fiscais e declarações falsas de rebanho criam uma rede complexa de lavagem de dinheiro.
Com movimentação anual estimada entre R$ 2 a 4 bilhões, a facção tem recursos para adquirir vastas propriedades ano após ano.
A presença do PCC para além da terra
O campo é apenas parte da teia criminosa. O PCC também controla postos de combustíveis, supermercados, transportadoras e usinas, setores que possibilitam a circulação de grandes quantias em dinheiro vivo, facilitando a ocultação de recursos.
Em 2024, denúncias da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo apontaram ainda o envolvimento da facção em queimadas criminosas para desestabilizar concorrentes e influenciar o mercado.
O desafio das autoridades
Apesar do avanço das operações policiais e do bloqueio de bens milionários, a sofisticação das estruturas usadas pelo PCC torna a tarefa de desarticular seu império rural complexa.
A fragilidade dos mecanismos de controle no meio rural, onde o monitoramento de grandes propriedades e operações financeiras é limitado, acaba favorecendo o crescimento do crime organizado no campo.
O agronegócio brasileiro sob ameaça
O fato de o PCC figurar como um dos maiores “donos” de terra revela uma face preocupante do agronegócio brasileiro, onde o progresso econômico e a segurança jurídica convivem com a infiltração do crime.
A situação exige a adoção urgente de estratégias integradas que envolvam inteligência policial, controle patrimonial rigoroso e cooperação entre órgãos federais, estaduais e municipais.






