A partir de julho, os consumidores atendidos pela Light no estado do Rio de Janeiro vão sentir um alívio nas contas de luz. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou uma redução de 2,52% nas tarifas residenciais, decisão que impacta diretamente o orçamento de milhares de famílias da Região Metropolitana.
Já para o setor industrial, a mudança segue em sentido oposto: a tarifa terá um acréscimo de 0,52%, como parte do reajuste anual que considera uma série de variáveis, como inflação, custo da energia comprada e perdas no sistema elétrico.
O que está por trás da queda na tarifa?

A decisão, que havia sido adiada em março devido a divergências internas na Aneel, finalmente foi consolidada após debates entre os diretores da agência.
Um dos principais fatores que permitiram a redução foi o fim do contrato da Light com a termelétrica Norte Fluminense, assinado em 2001 durante a crise de racionamento. A interrupção desse acordo representa uma economia significativa, que agora deixa de pesar nas contas dos consumidores.
Contudo, mesmo com essa oportunidade de corte mais expressivo — estimado em até 13% pela Aneel —, prevaleceu uma estratégia de moderação. Segundo o relator Fernando Mosna, é preciso evitar oscilações abruptas nos valores, já que há previsão de uma alta de quase 10% em 2026. Assim, a redução aplicada este ano foi mais conservadora, funcionando como um amortecedor para o reajuste previsto no futuro.
Furtos de energia ainda pesam na fatura
Apesar da boa notícia, os desafios para a Light continuam. A distribuidora, que está atualmente em recuperação judicial, enfrenta sérios prejuízos com os famosos “gatos” de energia.
Só em 2024, os furtos causaram perdas de mais de R$ 10 bilhões para o setor elétrico brasileiro — parte desse custo é repassado aos consumidores regulares. Em regiões onde as ligações clandestinas são comuns, a sustentabilidade do fornecimento segue em risco.
Divergências internas e impacto futuro
A votação que selou o reajuste foi marcada por opiniões divergentes entre os diretores da Aneel. Enquanto Mosna defendia prudência, outros membros, como Agnes Costa e Ludimila Lima da Silva, argumentavam a favor de uma redução mais robusta e imediata.
O impasse só foi resolvido com um voto de vista do diretor Ricardo Tili, encerrando a discussão temporariamente.
Apesar do cenário de recuperação financeira e das tensões regulatórias, a queda de tarifa em 2025 representa um respiro para os consumidores residenciais e aponta para a necessidade de rever contratos antigos e combater fraudes com mais rigor.





