Enquanto o Congresso Nacional ainda discute a Medida Provisória que propõe mudanças na tributação de aplicações financeiras, especialistas já estão de olho no que realmente importa para o investidor: o quanto o dinheiro vai render na prática.
A proposta enviada pelo governo federal pretende acabar com a atual tabela regressiva de Imposto de Renda — que varia de 22,5% a 15% conforme o tempo de aplicação — e adotar uma alíquota fixa de 17,5% sobre rendimentos de produtos como os CDBs (Certificados de Depósito Bancário). Embora ainda sem definição no Legislativo, a mudança pode mexer com o bolso de quem investe pensando no médio e longo prazo.
Comparativo: rendimento de R$ 10 mil com a regra atual e com a nova alíquota

A Daycoval Investe simulou um investimento de R$ 10 mil em um CDB prefixado com vencimento em três anos e taxa bruta anual de 14,5%. Veja como o rendimento final muda com a aplicação da nova alíquota:
- Com a regra atual (IR de 15%):
- Valor bruto: R$ 14.987
- Imposto: R$ 748,06
- Valor líquido final: R$ 14.239
- Com a nova regra (IR fixo de 17,5%):
- Valor bruto: R$ 14.987
- Imposto: R$ 872,73
- Valor líquido final: R$ 14.113,33
A diferença no retorno líquido é de R$ 124,67 a menos com a nova alíquota — um detalhe que pode parecer pequeno isoladamente, mas que ganha relevância em valores maiores ou aplicações recorrentes.
Especialistas recomendam agir antes que a mudança ocorra
Para Priscilla Cacavallo, gerente de investimentos da Daycoval Investe, o momento atual representa uma janela estratégica para o investidor que deseja aproveitar a alíquota menor.
“Investir agora em CDBs com vencimento de longo prazo assegura a tributação de 15%, o que é mais vantajoso frente à proposta de 17,5%”, explica.
O especialista Fernando Siqueira, da Eleven Financial, acredita que o novo modelo tende a mudar o comportamento do mercado: “Com o fim do benefício tributário para prazos mais longos, é provável que haja uma migração para aplicações de menor duração, já que o investidor não terá mais incentivo para manter o capital preso por tanto tempo”.
Impacto direto no perfil do investidor
A adoção de uma alíquota única tornaria a tributação mais simples, mas pode reduzir a atratividade da renda fixa, especialmente em um cenário de juros estáveis ou em queda. Sem o estímulo tributário, o investidor tende a se tornar mais cauteloso — o que pode aquecer o mercado de produtos de liquidez diária e renda variável de menor risco.
Enquanto o Congresso não define os rumos da proposta, quem busca maximizar os rendimentos com segurança pode se beneficiar ao antecipar aportes em CDBs de prazo mais longo, antes da possível alteração tributária.






