O avanço acelerado da tecnologia tem gerado um desafio crescente: o crescimento do lixo eletrônico. Embora esses resíduos possuam grande valor como fonte de matéria-prima, a maior parte não é descartada de forma adequada, o que intensifica os danos ao meio ambiente.
Em 2022, o mundo produziu 62 milhões de toneladas de lixo eletrônico, das quais apenas 22,3% foram recicladas. No Brasil, a situação é mais crítica: das 2,4 milhões de toneladas geradas anualmente, apenas 3% recebem o destino correto.
Ouro de celulares
A baixa taxa de reciclagem está associada à forte presença do mercado informal e à falta de fiscalização eficaz, o que contribui para o descarte inadequado e a contaminação do solo e da água por metais pesados. Em contrapartida, iniciativas de recondicionamento de equipamentos e treinamento de cooperativas buscam enfrentar esses desafios, promovendo inclusão social e geração de emprego.
Os resíduos eletrônicos contêm metais valiosos, como ouro e paládio, porém o processo de extração e refino desses materiais é oneroso e complexo. Empresas especializadas realizam a triagem e enviam esses componentes para recicladoras e refinarias, muitas vezes no exterior, alcançando níveis de aproveitamento que podem chegar a 90%. A ampliação de campanhas educativas é essencial para estimular a correta destinação desses resíduos.
Lixo eletrônico
A maior planta de reciclagem de resíduos eletrônicos da América Latina, em São José dos Campos, tem capacidade para processar 80 mil toneladas anuais, mas opera abaixo disso devido à baixa coleta. Investimentos em automação e políticas de aterro zero facilitam a separação e o reaproveitamento de metais, que retornam à cadeia produtiva, gerando receita e reduzindo impactos ambientais.
Além da reciclagem, a reutilização de equipamentos cresce, com empresas que recondicionam parte do material e vendem computadores remanufaturados a preços acessíveis, promovendo inclusão digital e economia circular.
A Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos (Abree) reúne várias empresas que atuam na coleta, desmontagem e reaproveitamento, com milhares de pontos de coleta no país. A entidade aposta em inteligência artificial, blockchain e design sustentável para aprimorar a logística reversa e aumentar a eficiência. Grandes empresas também ampliam pontos de coleta e oferecem retirada domiciliar, reduzindo emissões de carbono e fortalecendo a reinserção dos materiais na cadeia produtiva.





