Planejar uma formação no exterior é o ponto de partida para quem sonha em cursar uma universidade fora do Brasil. Mas garantir um bom desempenho no Enem — embora seja um diferencial — não basta.
A jornada para conquistar uma vaga em instituições estrangeiras exige estratégia, organização e construção de um portfólio robusto, que reflita não apenas desempenho acadêmico, mas também engajamento pessoal, social e cultural.
Segundo especialistas da área de educação internacional, a preparação ideal deve começar ainda no ensino fundamental, com atenção especial ao histórico escolar, à proficiência em outros idiomas e à participação em atividades extracurriculares.
Notas, sim — mas não só elas

Ainda que o Enem seja aceito por universidades em Portugal, Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e França, a pontuação final é apenas um dos componentes do processo seletivo. Muitas instituições buscam entender o perfil completo do candidato — quem ele é, em que acredita e de que forma contribui com sua comunidade.
“Mais do que uma nota, essas universidades querem conhecer a trajetória acadêmica e pessoal do estudante”, explica Roberta Mayumi, coordenadora da FourC Bilingual Academy, em entrevista a Folha de S.Paulo. “Contam pontos experiências como trabalho voluntário, participação em olimpíadas escolares e projetos extracurriculares.”
NYU e o Enem: uma parceria que ultrapassa fronteiras
A New York University (NYU) é um dos exemplos mais conhecidos de universidade norte-americana que aceita o Enem como parte da candidatura internacional.
A instituição avalia mais de 100 exames padronizados de diferentes países, permitindo que alunos escolham aquele que mais representa sua formação. A universidade aceita o Enem há mais de 13 anos e reconhece que o exame pode refletir bem o desempenho acadêmico de estudantes brasileiros.
Fundação acadêmica sólida e portfólio completo
Em destinos como o Reino Unido e a Irlanda, por exemplo, os estudantes brasileiros precisam realizar o chamado “Foundation Year”, um ano preparatório que complementa a formação do ensino médio e habilita o aluno a ingressar na graduação.
Já nos Estados Unidos, é essencial alinhar o perfil do aluno ao perfil da universidade desejada, considerando preferências como idioma, clima, estilo de vida e tamanho da cidade.
Mayumi alerta que, nos EUA, o processo seletivo valoriza fortemente um portfólio pessoal estruturado, que destaque talentos, competências e experiências. “Estudantes com jornada parcial, por exemplo, devem aproveitar o contraturno para se engajar em projetos sociais ou científicos, enriquecendo sua trajetória”.
Cenário internacional e desafios migratórios para estudar no exterior
Apesar do interesse crescente, a política de vistos estudantis nos Estados Unidos se tornou mais rígida em anos recentes, principalmente durante a administração Trump.
Com isso, muitos estudantes passaram a considerar outros destinos educacionais, como Canadá, Reino Unido, Alemanha e Austrália, que oferecem não apenas ensino de alta qualidade, mas também melhores condições migratórias e custo-benefício competitivo.
Esses países têm se destacado por combinarem excelência acadêmica, segurança e diversidade cultural. Um exemplo seria a NYU, que atualmente contabiliza cerca de 200 brasileiros matriculados e outros 50 com previsão de entrada para o próximo ano letivo.






