Uma estratégia fundamental para reduzir os impactos das mudanças climáticas decorrentes do aquecimento global é a diminuição das emissões de gases de efeito estufa. Um estudo recente aponta uma diferença expressiva entre os gêneros nesse aspecto: as mulheres apresentam uma pegada de carbono 26% menor que a dos homens, sobretudo nos setores de alimentação e transporte.
A investigação foi realizada pelo Instituto Grantham de Pesquisa de Mudanças Climáticas, ligado à London School of Economics and Political Science (LSE), e utilizou dados coletados na França. Foram avaliadas as respostas de 12.569 adultos acerca de seus hábitos alimentares e do uso de meios de transporte, como automóveis, em pesquisas realizadas entre 2014 e 2019.
Efeito estufa por gênero
Entre os motivos que contribuem para a maior pegada de carbono dos homens estão o consumo mais intenso de carne vermelha e o uso mais frequente de veículos automotores, comportamentos ligados a normas sociais que associam a masculinidade a essas práticas. Além desses aspectos, fatores biológicos e a composição familiar também influenciam essa disparidade.
As pesquisadoras ressaltam que essas normas tradicionais podem ser questionadas por meio de políticas informativas que incentivem alternativas sustentáveis, como dietas à base de plantas, apresentadas de forma a reforçar conceitos de força e desempenho.
Embora o estudo evidencie essa diferença relevante, ele aponta que ainda não está claro se a menor pegada das mulheres resulta de maior preocupação ambiental ou de outros fatores culturais e sociais, indicando a necessidade de pesquisas adicionais para uma compreensão mais aprofundada.
Pesquisa nacional
Embora o Brasil ainda careça de estudos que abordem diretamente a relação entre gênero e pegada de carbono, uma pesquisa realizada pelo Datafolha em 2025, a pedido da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), revela que as mulheres brasileiras demonstram uma tendência mais forte à redução do consumo de carne.
Os principais motivos apontados por elas incluem preocupações com a saúde, a preservação ambiental e a proteção dos animais. Esses dados sugerem que os hábitos de consumo feminino podem ter impacto relevante na promoção de práticas mais sustentáveis.





