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Para onde foram os adictos da cracolândia?

Por Karoline Calumbi
16/05/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Para onde foram os adictos da cracolândia? -  Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Para onde foram os adictos da cracolândia? - Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), o desaparecimento do tradicional fluxo de usuários de drogas da região da Rua dos Protestantes, na Santa Ifigênia, é resultado direto de ações integradas que combinam repressão ao tráfico, inteligência policial e atuação social.

Vale mencionar que a movimentação atípica foi registrada no início da semana e surpreendeu autoridades e especialistas da área, com repercussões imediatas tanto no centro quanto nas periferias da capital paulista.

A SSP-SP afirma que o esvaziamento foi impulsionado por operações de combate ao crime organizado, que incluíram prisões de lideranças, fechamento de estabelecimentos usados para lavagem de dinheiro e reforço da presença policial.

Dados divulgados pelo governo estadual indicam redução significativa nos índices de criminalidade na região, com destaque para a queda de 43,9% nos roubos e 28,8% nos furtos em 2024. Com isso, a sensação de segurança na área aumentou, ao menos temporariamente.

Dispersão silenciosa da cracolândia

Apesar da leitura otimista por parte das autoridades, movimentos sociais e especialistas contestam a narrativa oficial. O coletivo Craco Resiste, que acompanha a situação desde 2012, alerta que o “sumiço” do fluxo não representa a resolução do problema, mas sim uma dispersão forçada dos dependentes químicos.

Segundo relatos recebidos por projetos de extensão universitária e ONGs de apoio, os usuários continuam presentes em pontos descentralizados do centro, em condições ainda mais precárias e sujeitas à violência institucional.

As denúncias incluem abordagens truculentas da Guarda Civil Metropolitana (GCM), especialmente da Inspetoria de Operações Especiais (IOPE), que teria restringido o acesso dos usuários a itens básicos, como alimentos, documentos e produtos de higiene.

Vale mencionar que há registros de internações forçadas e impossibilidade de continuidade de tratamentos de doenças como HIV e tuberculose, uma vez que os profissionais de saúde e assistência social não conseguem mais localizar os pacientes atendidos anteriormente.

Novos focos emergem na periferia

É importante mencionar que, enquanto o centro esvaziava, moradores de bairros periféricos e cidades da Grande São Paulo passaram a relatar um aumento expressivo de pessoas em situação de rua, muitas em condições semelhantes às observadas na antiga cracolândia.

Regiões como Jardim Ângela, Vila Medeiros e Itaquera têm recebido esses novos fluxos, sugerindo uma migração forçada dos usuários, possivelmente por meio de remoções realizadas sem consentimento.

Outro detalhe importante é a ausência de transparência sobre o destino dessas pessoas. O governo municipal celebra o desaparecimento do fluxo como “vitória da sociedade”, mas ainda não apresentou dados públicos que comprovem a oferta efetiva de tratamento e reinserção social para os dependentes.

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Karoline Calumbi

Karoline Calumbi

Jornalista pela UFRRJ, universidade da baixada do Rio de Janeiro. Apaixonada pela profissão e dedicada em diariamente informar e entreter os leitores.

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