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Ninguém consegue sobreviver quando vai a este paraíso no Brasil

Por Karoline Calumbi
08/05/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Ninguém consegue sobreviver quando vai a este paraíso no Brasil - Foto: Getty Images

Ninguém consegue sobreviver quando vai a este paraíso no Brasil - Foto: Getty Images

Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a Ilha da Queimada Grande, situada a cerca de 30 km do litoral sul de São Paulo, é uma das áreas de proteção ambiental mais restritas do Brasil.

Conhecida popularmente como “Ilha das Cobras”, o local abriga uma população significativa da jararaca-ilhoa (Bothrops insularis), uma das serpentes mais venenosas do mundo, espécie considerada criticamente ameaçada de extinção.

Apesar de sua beleza atlântica exuberante, com vegetação densa e paisagens preservadas, esse pequeno território de 43 hectares representa um perigo real para qualquer pessoa que tente desembarcar sem a devida autorização e preparo.

O acesso à ilha é proibido ao público geral e limitado exclusivamente a pesquisadores com autorização específica do Sistema de Autorização e Informação em Biodiversidade (SISBio).

Um paraíso hostil com uma beleza letal

Com milhares de serpentes espalhadas pelo terreno, a Ilha da Queimada Grande é considerada um verdadeiro laboratório natural. A espécie dominante, a jararaca-ilhoa, evoluiu de forma única após o isolamento geográfico, desenvolvendo um veneno até cinco vezes mais potente do que o da jararaca comum.

Isso porque, sem acesso a mamíferos terrestres, a serpente passou a se alimentar de aves, exigindo uma ação mais letal e rápida.

A densidade populacional de serpentes na ilha é considerada alta: estima-se a presença de uma jararaca a cada 300 metros quadrados. A movimentação humana é extremamente restrita, e mesmo pesquisadores seguem protocolos rigorosos, com trajes específicos e equipamentos especializados.

Vale mencionar que o local já abrigou um faroleiro, mas com a automação da estrutura e os riscos envolvidos, a presença humana foi completamente eliminada, reforçando a função conservacionista da ilha.

Conservação, ciência e riscos invisíveis

A jararaca-ilhoa está listada como criticamente em perigo tanto pela IUCN quanto pelo ICMBio. O isolamento geográfico, a baixa diversidade genética e ameaças como incêndios e biopirataria tornam sua conservação um desafio contínuo.

Isso reforça o papel essencial da pesquisa científica desenvolvida por instituições como o Instituto Butantan e universidades públicas, focada no monitoramento populacional, na restauração da vegetação nativa e na proteção do ecossistema insular.

Outro detalhe importante é que, apesar de seu veneno ainda não ser utilizado na indústria farmacêutica, estudos sobre suas propriedades têm potencial biotecnológico. Dessa forma, preservar esse ambiente é mais do que uma questão ambiental: é também uma aposta no futuro da ciência brasileira.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Karoline Calumbi

Karoline Calumbi

Jornalista pela UFRRJ, universidade da baixada do Rio de Janeiro. Apaixonada pela profissão e dedicada em diariamente informar e entreter os leitores.

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