Mais Tendências - Tribuna de Minas
  • Cidade
  • Contato
  • Região
  • Política
  • Economia
  • Esportes
  • Cultura
  • Empregos
Mais Tendências - Tribuna de Minas
Sem resultados
Ver todos os resultados
Mais Tendências - Tribuna de Minas
Sem resultados
Ver todos os resultados

Mais de 450 mil trabalhadores foram afastados por transtornos mentais

Por Leticia Florenço
02/05/2025
Em Colunas, Mais Tendências
0
Transtorno Mental - Reprodução/iStock

Transtorno Mental - Reprodução/iStock

O Brasil está enfrentando uma grave crise relacionada à saúde mental dos trabalhadores, que atingiu níveis alarmantes. Com o afastamento de mais de 470 mil profissionais devido a transtornos como depressão e ansiedade apenas em 2024, o país está vivenciando o que pode ser descrito como uma verdadeira “epidemia de adoecimento mental” nos ambientes de trabalho.

O alerta foi feito por Pedro Tourinho, presidente da Fundacentro, que apontou que essa situação é reflexo de políticas públicas negligentes e de um cenário mais amplo de precarização das condições de trabalho.

Causas estruturais do adoecimento mental no trabalho

O aumento no número de afastamentos relacionados a transtornos mentais não é um fenômeno isolado ou temporário, mas o resultado de uma série de fatores estruturais no mercado de trabalho.

Tourinho destaca que a pressão insustentável por metas irrealizáveis, a falta de clareza nas funções, e a prevalência de relações de assédio moral no ambiente corporativo têm contribuído para o agravamento desse cenário.

Além disso, a jornada de trabalho exaustiva, principalmente a carga horária de 6 x 1 (seis dias de trabalho seguidos por um dia de descanso), se apresenta como um dos maiores obstáculos à preservação da saúde mental dos trabalhadores.

Para Tourinho, discutir e implementar o fim dessa jornada de trabalho é essencial para a promoção de ambientes mais saudáveis e produtivos.

Impacto das políticas de retrocesso na saúde do trabalhador

A crise de saúde mental no trabalho não é um fenômeno acidental, mas sim resultado de uma série de escolhas políticas ao longo dos últimos anos.

Durante os governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro, observou-se um desmonte das políticas de proteção à saúde e segurança dos trabalhadores, que facilitou a expansão de práticas empresariais que não respeitavam as condições mínimas de segurança e bem-estar.

O ataque sistemático às normas de saúde e segurança no trabalho, segundo Tourinho, não só comprometeu a qualidade de vida dos trabalhadores, mas também acelerou o desgaste emocional e psicológico das pessoas que, muitas vezes, são forçadas a se submeter a condições de trabalho desumanas.

Este retrocesso impactou diretamente o número de acidentes de trabalho, que em 2024 chegou a cerca de 740 mil, com 2,4 mil mortes, números que, segundo o presidente da Fundacentro, podem ser ainda maiores devido à informalidade crescente no mercado de trabalho.

Desafio das mudanças climáticas e a insegurança no trabalho ao ar livre

Além das questões relacionadas à gestão das condições de trabalho, as mudanças climáticas também estão contribuindo para agravar a insegurança nos ambientes de trabalho, especialmente aqueles que ocorrem ao ar livre.

O Brasil já possui uma histórica de adoecimento de trabalhadores rurais, como no setor sucroalcooleiro, onde as altas temperaturas e as condições de exaustão são causas recorrentes de mortes prematuras.

Tourinho alerta que, com as mudanças climáticas em curso, esse problema pode se estender a outros setores, como a construção civil e o agronegócio, expondo trabalhadores a riscos ainda maiores de doenças relacionadas ao calor extremo.

O impacto das mudanças climáticas no trabalho, especialmente para aqueles em funções externas, precisa ser reconhecido e abordado com políticas de proteção adequadas.

A necessidade de reconstrução das políticas de saúde e segurança no trabalho

Diante desse cenário alarmante, Pedro Tourinho destaca a importância de uma reconstrução das políticas públicas voltadas à saúde e segurança no trabalho. A autorização para a abertura de 65 novas vagas na Fundacentro, após mais de uma década de sucateamento da instituição, é vista como uma medida importante para reverter a atual crise.

Essa reconstrução é vista como um passo crucial não apenas para recuperar as perdas do passado, mas também para garantir a sustentabilidade e a eficácia das políticas de proteção ao trabalhador nos próximos anos.

Para Tourinho, a construção de ambientes de trabalho seguros e saudáveis é uma questão de justiça social. O trabalho é, ao mesmo tempo, um espaço de realização pessoal e de sofrimento, e a saúde do trabalhador deve ser tratada como uma prioridade para garantir que todos tenham condições dignas de vida e trabalho.

O papel da sociedade na transformação do cenário

Finalmente, a sociedade como um todo tem um papel fundamental na mudança desse quadro. O movimento em prol da saúde mental no trabalho precisa ser abraçado por todos: desde os empregadores, que devem repensar suas práticas e oferecer condições adequadas para o bem-estar dos seus colaboradores, até os sindicatos, que devem atuar ativamente na defesa dos direitos dos trabalhadores.

A conscientização da população sobre os riscos do adoecimento mental no ambiente de trabalho e a pressão por políticas públicas eficazes são essenciais para combater esse mal que afeta uma parcela significativa da força de trabalho brasileira.

No entanto, é necessário que a sociedade se mobilize para garantir que essa crise seja enfrentada de forma eficaz, para que os trabalhadores do Brasil possam exercer suas funções com dignidade, saúde e segurança.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

Próximo post
Cristal - Reprodução/iStock

Maior reserva de cristal do mundo fica no interior do Brasil

Confira!

Cachorro - Reprodução/iStock

A psicologia explica por que quem conversa com o pet como se fosse gente tem características acima da média

05/06/2026
Imposto de Renda Receita Federal

Mesmo com problemas na pré-preenchida, declaração pode virar automática em 3 anos

05/06/2026
Esponja - Reprodução/Unsplash/fcafotodigital

Estudo comprova que a esponja de louça libera microplásticos na água a cada vez que é usada

05/06/2026

Copyright Tribuna de Minas. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo dessa página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem a autorização escrita da Tribuna de Minas

Contato

Bem-vindo de volta!

Faça login abaixo

Esqueceu a senha?

Recupere sua senha

Insira seu nome de usuário ou endereço de e-mail para redefinir sua senha.

Log In

Adicionar nova Playlist

Sem resultados
Ver todos os resultados
  • Contato

Tribuna de Minas