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Mel não tem prazo de validade? Especialistas explicam como avaliar

Por Leticia Florenço
05/01/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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(Imagem/Reprodução): Freepik

(Imagem/Reprodução): Freepik

O mel é amplamente conhecido por sua longevidade e características que indicam uma “praticamente eterna” validade. No entanto, ao contrário da crença popular de que o mel nunca vence, ele, sim, tem prazo de validade, que geralmente é de dois anos.

Especialistas apontam que a durabilidade do mel está relacionada a uma combinação de fatores químicos e biológicos, mas também alertam que seu armazenamento inadequado pode afetar sua qualidade e segurança.

Química que garante a durabilidade do mel

O mel é uma substância única quando se trata de conservação. Composto por cerca de 80% de açúcares e 17 a 22% de umidade, ele cria um ambiente hostil à maioria dos microrganismos. Essa alta concentração de açúcar tem um efeito desidratante, essencialmente “secar” qualquer bactéria ou fungo que tente se desenvolver.

Além disso, o mel tem um pH ácido de aproximadamente 3,91, o que o torna ainda mais resistente à proliferação de microrganismos. Para entender melhor, o suco de laranja, popularmente ácido, tem pH de 3,5.

Bruno Souza, pesquisador do Núcleo de Pesquisas com Abelhas da Embrapa Meio-Norte, explica que esse ambiente inóspito para os microrganismos é um dos principais motivos que contribui para a grande longevidade do mel, tornando-o quase imune a contaminações comuns.

Peróxido de hidrogênio

Outro fator que contribui para a durabilidade do mel é a presença de peróxido de hidrogênio, também conhecido como água oxigenada. Essa substância ajuda a combater a instabilidade bacteriana, protegendo o mel de possíveis contaminações e evitando sua degradação.

Fábia Pereira, também pesquisadora do Núcleo da Embrapa Meio-Norte, ressalta que a combinação do pH ácido e o peróxido de hidrogênio cria uma “barreira química” contra diversos tipos de bactérias, conferindo ao mel um poder natural de preservação.

Fatores que aceleram a degradação do mel

Apesar de ser um produto naturalmente resistente à deterioração, o mel pode, sim, estragar sob determinadas condições. O armazenamento inadequado é o principal vilão. Quando o mel não é processado corretamente ou quando há falhas nos cuidados de higiene durante a colheita, ele pode fermentar, o que resulta na formação de álcool ou vinagre. Esse processo pode ser facilmente identificado pelo consumidor devido ao cheiro alcoólico, sabor ácido ou pela presença de espuma.

Além disso, fatores como umidade, calor e exposição à luz podem acelerar o processo de degradação do mel. A umidade, por exemplo, pode causar fermentação, enquanto o calor e a luz aceleram o envelhecimento do produto, fazendo com que ele perca suas propriedades e até mesmo sua validade de forma mais rápida. É por isso que é altamente recomendável manter o mel em locais frescos, secos e longe da luz.

Alterações na composição do mel ao longo do tempo

À medida que o mel envelhece, sua composição sofre alterações. Alguns componentes do mel aumentam com o tempo, enquanto outros diminuem. Um dos compostos que aumentam com a armazenagem prolongada é o HMF (hidroximetilfurural), uma substância que, em grandes quantidades, é considerada cancerígena.

Embora o HMF esteja presente em todos os meles e sua quantidade natural seja segura, o aumento de sua concentração ao longo do tempo pode ser um indicativo de que o mel não está mais nas melhores condições para consumo.

Como avaliar o mel e saber se ele venceu?

O consumidor pode seguir algumas dicas para verificar a qualidade do mel antes de consumi-lo. Primeiramente, observar o aspecto do mel é importante: um mel claro e sem cristais tende a ser mais fresco. Caso o mel esteja excessivamente cristalizado, isso não significa que ele está estragado, mas sim que a concentração de açúcar é alta. Quanto ao cheiro, se o mel apresentar um odor alcoólico ou azedo, é melhor não consumi-lo. A presença de espuma também é um sinal de fermentação.

Além disso, é importante verificar a data de validade na embalagem, embora especialistas recomendem a atenção ao armazenamento, uma vez que o mel pode durar por muito tempo se armazenado corretamente, mesmo que a data limite tenha passado. A melhor maneira de garantir que o mel seja consumido dentro de seu prazo de validade é armazená-lo em locais frescos, secos e bem fechados, de preferência em potes herméticos, evitando o contato com a umidade e a luz.

Assim, sempre que possível, fique atento às condições de armazenamento e às características sensoriais do mel, garantindo que ele seja consumido dentro de sua melhor qualidade.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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