Uma pesquisa realizada pela Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) identificou resíduos de agrotóxicos e outras substâncias contaminantes em fórmulas infantis vendidas no Brasil.
Os resultados do estudo foram divulgados nas publicações científicas Journal of Chromatography A e Journal of Food Composition and Analysis. Ao todo, 30 amostras dessas fórmulas foram examinadas com o intuito de detectar a presença de agrotóxicos e micotoxinas — toxinas naturais produzidas por fungos.
Contaminação de fórmulas infantis
Na primeira etapa da investigação, os pesquisadores concentraram-se em 23 substâncias previamente selecionadas: 19 agrotóxicos apontados em relatórios da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e quatro tipos de micotoxinas. As amostras também passaram por uma triagem ampliada com base em um extenso banco de dados contendo mais de dois mil compostos, entre eles hormônios e medicamentos veterinários.
Essa etapa permitiu a detecção de diversos contaminantes, como os pesticidas fenitrotiona, clorpirifós e bifentrina, além de substâncias já proibidas no Brasil, como o metamidofós, banido em 2012, e o carbofurano, cuja comercialização foi proibida em 2017. Este último foi identificado em cerca de 10% das amostras, o que sugere possível contaminação ambiental por bioacumulação. No total, foram encontrados 32 contaminantes diferentes.
Na segunda etapa da análise, os pesquisadores identificaram seis compostos em 86,6% das amostras. Dentre eles, três — pyridaben, ftalimida e cis-1,2,3,6-tetra-hidroftalimida — apresentaram níveis acima dos limites definidos pela União Europeia. Como o Brasil ainda não possui regulamentações específicas para resíduos em fórmulas infantis, os critérios adotados foram os padrões europeus, considerados mais rigorosos.
Riscos para os bebês
As pesquisadoras destacam que os bebês são especialmente vulneráveis a contaminantes, já que seu organismo ainda não possui um sistema metabólico plenamente desenvolvido para processar e eliminar essas substâncias. Mesmo que a maioria dos resíduos tenha sido detectada em concentrações abaixo dos limites considerados seguros, a simples presença desses compostos já representa um alerta. Isso reforça a urgência de criar regulamentações específicas para fórmulas infantis no Brasil.
Marcella Vitória Galindo, responsável pela pesquisa, ressalta a necessidade de conscientizar as mães sobre escolhas alimentares mais seguras. Ela defende a promoção de uma alimentação baseada em produtos menos sujeitos à contaminação, como forma de prevenir riscos e garantir maior proteção à saúde dos bebês.






