Ao longo de 2025, o Governo de Pernambuco, em articulação com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS) e os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) municipais, promoveu uma ampla reavaliação dos cadastros do Bolsa Família no estado.
A operação, semelhante a ações realizadas em outras partes do país, teve como foco identificar irregularidades no recebimento do benefício.
Em Pernambuco, no entanto, a revisão teve impacto significativo: milhares de famílias foram excluídas do programa após a constatação de inconsistências nos dados.
Essa exclusão em massa traz um reflexo direto: os beneficiários desligados do programa não terão acesso ao chamado 13º do Bolsa Família, pago tradicionalmente no fim do ano em Pernambuco.
Suspensão do Bolsa Família 2025: fim do 13º salário
Diferente do que muitos imaginam, o Bolsa Família, em nível federal, não prevê pagamento de décimo terceiro salário. Ou seja, os mais de 19 milhões de brasileiros atendidos pelo programa não recebem parcela adicional em dezembro.
Pernambuco é uma exceção: desde 2019, o governo estadual oferece um pagamento extra simbólico, com valor fixo, para ajudar as famílias de baixa renda a enfrentarem os custos adicionais do fim de ano.
Em 2024, cerca de 909 mil beneficiários receberam o valor de R$ 150, desde que estivessem com o CadÚnico atualizado e tivessem recebido ao menos seis parcelas do Bolsa Família ao longo do ano.
Para 2025, no entanto, a continuidade desse pagamento estadual ainda não foi confirmada. Até o momento, o governo não divulgou se haverá novo repasse em dezembro.
Mas, independentemente da decisão, um ponto já está claro: quem foi desligado do Bolsa Família este ano por conta de irregularidades no cadastro não terá direito ao 13º estadual, caso ele aconteça.
Quem teve o Bolsa Família suspenso em Pernambuco?
O pente-fino realizado em Pernambuco foi liderado pela Controladoria Geral do Estado (CGE) e pela Secretaria da Fazenda (Sefaz), com base no cruzamento de dados entre os cadastros do Bolsa Família e registros estaduais, como IPVA, ICMS, vínculos empregatícios e propriedade de veículos ou empresas.
Dos 1,46 milhão de cadastros analisados, cerca de 646 mil foram considerados irregulares e removidos da folha de pagamento.
Os principais motivos incluíram renda incompatível com o perfil exigido, padrão de consumo elevado e posse de bens como automóveis e empresas em nome dos beneficiários.
A economia gerada com o corte desses cadastros chega a R$ 165 milhões em dois anos, valores que permitirão atender novas famílias que realmente necessitam do benefício.
Enquanto isso, para os excluídos, o fim do auxílio representa também o fim de qualquer expectativa de receber o bônus natalino que, por enquanto, permanece incerto para todos.





