O Pix, que virou padrão de pagamento instantâneo no Brasil e moldou novos hábitos de consumo no país, começa agora a se expandir além das fronteiras. A tecnologia passa a operar em carteiras digitais da Ásia após uma parceria entre a brasileira PagBrasil e a singapurense Liquid Group.
O acordo marca um novo passo na ambição de levar o sistema para outros mercados e promete facilitar a vida de brasileiros que vivem ou viajam pelo continente, além de abrir espaço para usuários locais adotarem o modelo criado pelo Banco Central.
PIX chega em outro país após parceria com fintechs do Brasil
O anúncio confirma a integração do Pix ao ecossistema de 14 carteiras digitais que atuam em países como China, Japão, Coreia do Sul, Índia, Malásia e Singapura.
Essas plataformas somam mais de um bilhão de usuários e serão capazes de processar pagamentos iniciados por meio de QR Code.
Na prática, o pagador usa sua carteira digital asiática, aponta a câmera para o código e autoriza a operação. A transação passa pelo banco local, é convertida para dólar e segue para a infraestrutura da Liquid Group.
De lá, as informações chegam à PagBrasil, que finaliza o processo, converte o valor para reais e confirma a liquidação.
Esse fluxo cria uma espécie de “roaming” do Pix, conceito comparado pelos executivos ao funcionamento das operadoras de celular no exterior.
O objetivo é permitir o uso da tecnologia mesmo fora do território brasileiro, sem exigir que a empresa responsável pela transação esteja instalada no país.
A PagBrasil vê nisso um caminho para ampliar o alcance da solução e incentivar bancos e carteiras asiáticas a incorporar de forma definitiva a opção de pagamento.
Método já deve começar a funcionar em Singapura
A parceria tem impacto imediato em Singapura, onde dez carteiras já estão prontas para operar com o sistema, entre elas a ShopeePay. Na China, o acordo abre possibilidade de integração com gigantes como WeChat Pay e Alipay.
Para exportadores e importadores do sudeste asiático, o novo arranjo cria um método de pagamento mais simples e barato.
Segundo a PagBrasil, as taxas devem ficar entre 1 e 2 por cento, abaixo dos custos tradicionais dos cartões de crédito usados em operações internacionais.
A empresa afirma que a próxima etapa da expansão envolve negociações com adquirentes locais para levar o Pix diretamente ao comércio físico e digital da região.
A expectativa é intensificar acordos até 2026, com atenção especial ao Japão, onde há forte presença brasileira.
Para a PagBrasil, a cooperação com fintechs asiáticas mostra que o Pix não é apenas um produto nacional, mas um modelo capaz de ganhar escala global.





