O país com a jornada de trabalho mais longa do planeta está prestes a mudar uma regra histórica. O governo anunciou um plano para acabar, de forma progressiva, com a atual carga horária excessiva, sem tocar nos salários.
A ideia é simples: reduzir o número de horas semanais, mas manter a remuneração integral dos trabalhadores, protegendo sua renda. O plano prevê uma transição gradual até 2030 e já está em andamento.
País com maior jornada de trabalho do mundo está prestes a dar fim na lei
Trata-se do México, que lidera o ranking global de horas trabalhadas por ano, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Em média, os mexicanos trabalham mais de 2.190 horas por ano, bem acima da média dos países do grupo e também do Brasil.
A jornada típica no país é de 48 horas semanais, distribuídas em seis dias, o que pressiona a saúde física e mental dos trabalhadores e reduz o tempo disponível para descanso e convívio familiar.
Diante desse cenário, o governo da presidenta Claudia Sheinbaum decidiu agir. Desde maio de 2025, a presidência mobilizou sindicatos, empresários e representantes do setor público para iniciar negociações sobre a redução da carga horária.
O objetivo é implementar a mudança em etapas: diminuir duas horas por ano a partir de 2026 até alcançar a meta de 40 horas semanais em 2030. A primeira etapa entra em vigor no Dia do Trabalhador, em 1º de maio de 2026.
México muda jornada de trabalho e reduz carga horária sem diminuir salários
A proposta beneficia diretamente todos os trabalhadores em regime de tempo integral, além de impactar positivamente aqueles com jornadas parciais, que poderão ajustar seus contratos de maneira proporcional.
A nova medida é baseada em uma emenda à Constituição mexicana, que altera o artigo responsável por definir o tempo de descanso entre os dias de trabalho.
Se antes o intervalo mínimo era de um dia a cada seis de trabalho, agora a regra será dois dias de descanso após cinco dias úteis.
A mudança tem como meta melhorar a qualidade de vida da população, aumentar a produtividade e alinhar o país às práticas internacionais.
Segundo o governo, o tempo de trabalho mais curto não representa uma queda na produção, mas sim um reconhecimento do valor do tempo livre e do bem-estar dos trabalhadores.





