O critério de acesso ao abono salarial do PIS e Pasep passará por uma redução gradual a partir de 2026. Essa mudança virá acompanhada de um reajuste anual pela inflação, o que altera o ponto de corte usado para definir quem tem direito ao benefício.
Como o próximo ano já está perto, entender o que realmente entra em vigor e quem pode perder o abono se tornou essencial para milhões de trabalhadores.
O que muda no abono salarial em 2026 e quem corre risco de ficar de fora
O abono salarial é uma ajuda anual paga a empregados da iniciativa privada e a servidores vinculados ao Pasep. Ele funciona como um complemento de renda baseado no salário mínimo.
O valor é proporcional ao tempo trabalhado no ano anterior e segue uma fórmula simples: o salário mínimo é dividido por doze e multiplicado pela quantidade de meses trabalhados.
Esse cálculo não será alterado pela nova regra. O que muda é o limite de renda que dá acesso ao abono.
Até 2025, o critério permanece fixado em até dois salários mínimos. Em 2026, o governo começará a estreitar esse limite. O valor inicial considerado para o corte será de 2.640 reais, que passará a ser corrigido ano a ano pelo INPC, índice que reflete a inflação para famílias de menor renda.
Esse ajuste, embora automático, não acompanhará integralmente a evolução do salário mínimo, o que fará o limite encolher em termos reais. Ao longo dos anos, o critério seguirá essa lógica até alcançar o equivalente a 1,5 salário mínimo por volta de 2035.
A decisão faz parte do pacote fiscal aprovado em 2024. O Ministério da Fazenda argumenta que a mudança busca concentrar os recursos nos trabalhadores de remuneração mais baixa e aliviar pressões sobre o orçamento.
O governo reconhece que o processo será gradual, mas afirma que ele é necessário para tornar o gasto mais focalizado.
O que muda na prática no abono salarial em 2026 e quem será afetado?
Na prática, esse novo desenho significa que parte dos trabalhadores que hoje se enquadram no benefício ficará de fora ao longo da próxima década. Projeções oficiais indicam que, em 2030, cerca de 3 milhões de pessoas podem deixar de receber o abono.
A exclusão não será imediata, já que a redução seguirá o ritmo da inflação. Mesmo assim, categorias com salários mais próximos do limite atual tendem a sentir o impacto antes.
Quem corre maior risco de perder o benefício são os trabalhadores formais que ganham acima do novo teto corrigido pelo INPC.
Com o avanço anual do salário mínimo e o reajuste mais lento do limite de acesso, essa parcela da população pode cruzar o novo ponto de corte mesmo sem aumento real de renda.
Por isso, acompanhar as atualizações anuais será fundamental para saber se o direito ao abono será mantido.





