Nos últimos anos, empresas de tecnologia ao redor do mundo têm apostado em novas formas de organização do trabalho com o objetivo de aumentar a produtividade.
Um dos modelos que ganhou destaque nesse cenário é o chamado “996”, que propõe jornadas mais longas e intensas. Segundo defensores da ideia, trabalhar mais horas por mais dias na semana acelera entregas, aumenta a dedicação e impulsiona resultados.
Diante disso, discute-se a possibilidade de o modelo ganhar espaço no Brasil. No entanto, especialistas apontam que essa realidade seria inviável por aqui, principalmente por ir de encontro às regras estabelecidas pela legislação trabalhista nacional.
Modelo de trabalho 996 seria impossível no Brasil; entenda
O modelo 996 propõe uma jornada que começa às nove da manhã e termina às nove da noite, seis dias por semana, totalizando 72 horas semanais.
Essa estrutura surgiu na China e foi amplamente adotada por empresas do setor de tecnologia, com a promessa de formar equipes altamente comprometidas e focadas em desempenho extremo.
Para tentar compensar a carga exaustiva, algumas empresas oferecem benefícios extras, como moradia, alimentação e lazer, numa tentativa de manter os funcionários por mais tempo dentro do ambiente de trabalho.
No entanto, esse tipo de jornada esbarra em barreiras legais e culturais no Brasil.
A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) define limites bem claros: a carga horária máxima deve ser de 8 horas por dia e 44 por semana, com exceções possíveis apenas mediante acordos e compensações formais.
Trabalhar além disso, como propõe o 996, só seria possível com o pagamento de horas extras e ainda assim limitado a no máximo duas horas adicionais por dia.
Qualquer modelo que ultrapasse esses parâmetros fere a legislação e pode resultar em penalidades às empresas.
Jornada de trabalho 996 não encontra terreno fértil para aceitação por trabalhadores brasileiros
Além dos aspectos legais, há uma questão prática: jornadas excessivas não significam necessariamente maior produtividade. Pelo contrário, funcionários exaustos tendem a produzir menos, cometer mais erros e apresentar problemas de saúde.
No atual contexto brasileiro, inclusive, a tendência vai na direção oposta. Trabalhadores têm pressionado por jornadas mais equilibradas, com folgas mais frequentes.
Movimentos em defesa do modelo 5×2 (cinco dias de trabalho e dois de descanso) ou até do 4×3 (quatro dias de trabalho e três de descanso) ganham força, mostrando que o país caminha para uma redução do tempo dedicado ao trabalho, e não sua ampliação.





