Na noite da última segunda-feira, 15 de setembro, o ex-presidente Michel Temer (MDB) participou do programa Roda Viva, da TV Cultura, e fez uma declaração inesperada ao comentar sobre a atual tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos.
Ao analisar o embate entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump (Partido Republicano), Temer avaliou que, apesar do conflito, Lula saiu politicamente fortalecido, e que os ataques norte-americanos ao Judiciário brasileiro acabaram impulsionando sua imagem dentro do país.
Michel Temer surpreendeu e fez revelação sobre Lula
Segundo Temer, a crítica vinda dos EUA contribuiu para que Lula reforçasse seu discurso de soberania nacional. Para ele, o presidente brasileiro soube usar o episódio a seu favor, reacendendo a narrativa de resistência e autonomia frente a pressões externas.
“Ao atacar as instituições brasileiras, os Estados Unidos involuntariamente permitiram que Lula retomasse uma pauta que resgata sua trajetória política: a defesa da soberania e do voto popular”, comentou.
Apesar de reconhecer os efeitos positivos para a imagem de Lula no cenário interno, Temer também apontou equívocos na condução do episódio pelo governo brasileiro. Um deles foi a carta escrita por Lula e publicada no New York Times, no domingo anterior à entrevista.
Para o ex-presidente, o conteúdo do texto teve um tom provocativo e foi pensado mais para o público brasileiro do que para dialogar com os americanos.
“Aquela carta foi um recado para dentro do Brasil. É dura demais, e chama o presidente Trump de desonesto. Isso fecha portas“, criticou.
Temer revelou o que faria sobre os EUA se estivesse no lugar de Lula
Temer também disse que, se estivesse na presidência, teria optado por outro caminho. Segundo ele, o melhor seria tentar o diálogo direto com Trump, mesmo diante de desentendimentos.
“Eu teria ligado para ele. Nessas situações, o importante é manter a comunicação. Se o presidente dos EUA atender o telefone, você abre uma porta para o entendimento”, afirmou.
O atrito ganhou força após a decisão do governo norte-americano de impor tarifas de 50% sobre produtos brasileiros.
Lula, por sua vez, tem afirmado que não vai se submeter e que Trump não está disposto ao diálogo. Temer, no entanto, vê nessa postura uma oportunidade perdida para desarmar o conflito por meio da diplomacia.





