O empresário Maurício Camisotti, preso preventivamente por suspeita de integrar um esquema fraudulento de descontos indevidos em aposentadorias do INSS, é alvo de investigações que apontam a existência de recursos ocultos fora do Brasil.
De acordo com a Polícia Federal, ele utilizou estruturas financeiras no exterior para movimentar dinheiro obtido de forma ilícita, segundo os elementos reunidos pela força-tarefa responsável pelo caso.
Empresário envolvido na farra do INSS tinha dinheiro no exterior
Camisotti é apontado pelos investigadores como um dos beneficiários finais do dinheiro desviado por meio de entidades envolvidas na chamada “farra dos descontos”, um esquema que aplicava cobranças indevidas em aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social.
O golpe, revelado em detalhes durante a Operação Sem Desconto, resultou em prejuízos bilionários para milhares de segurados, por meio de falsas associações que realizavam descontos sem autorização diretamente nos benefícios previdenciários.
Empresário de perfil discreto, Camisotti passou a ser investigado após a PF identificar o repasse de pelo menos R$ 25 milhões de empresas ligadas a ele para o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, apontado como operador central das fraudes.
Com o avanço das apurações, a análise do conteúdo extraído do celular de Camisotti e seus dados bancários revelou movimentações financeiras que chamaram a atenção das autoridades.
PF e Coaf apontam que empresário envolvido nos descontos do INSS enviou dinheiro para o exterior
Segundo a PF, Camisotti usou uma offshore e um fundo de investimento ligado à Genial Investimentos, localizado na região da Faria Lima, em São Paulo, para movimentar valores fora do território nacional.
Os indícios de envio de recursos para o exterior foram reforçados por relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que também apontaram tentativas recentes do empresário de transferir parte de seu patrimônio para criptoativos, o que, para os investigadores, configuraria uma tentativa de ocultação de bens.
A defesa de Camisotti nega qualquer ilegalidade nas movimentações. Em nota, os advogados afirmam que a offshore foi criada de forma regular em 2015 e sempre foi devidamente declarada às autoridades fiscais brasileiras.
A abertura da conta na Genial, segundo eles, foi uma alternativa após o encerramento unilateral de outra conta, no BTG Pactual.
A defesa sustenta que Camisotti está colaborando com as investigações e se mantém à disposição para prestar esclarecimentos.





