A Apple foi condenada nos Estados Unidos a pagar uma multa bilionária depois que um júri concluiu que a empresa utilizou, sem autorização, uma tecnologia criada por outra companhia em versões do Apple Watch lançadas nos últimos anos.
A decisão encerra parte de uma disputa longa e tensa sobre propriedade intelectual e coloca novamente em destaque os limites entre inovação e apropriação indevida no setor de dispositivos eletrônicos.
Apple paga multa bilionária após copiar tecnologia sem autorização
O caso envolve a Masimo, empresa norte-americana conhecida por desenvolver equipamentos médicos usados em hospitais. Há décadas ela trabalha com métodos avançados de oximetria de pulso, técnica que mede níveis de oxigênio no sangue e outros sinais fisiológicos.
Segundo a Masimo, a Apple incorporou princípios dessa mesma tecnologia em funções de saúde presentes nos relógios inteligentes comercializados entre 2020 e 2022.
Para sustentar a acusação, a companhia apresentou estudos internos e argumentou que o desempenho do Apple Watch na detecção de alterações fisiológicas atendia aos parâmetros descritos em sua patente.
A Masimo defendeu que, ainda que voltado ao consumidor comum, o produto passou a operar de forma semelhante a monitores clínicos usados em ambientes hospitalares.
O júri concordou com essa interpretação e determinou que quatro reivindicações relacionadas à patente de oximetria de pulso foram violadas pela empresa do iPhone.
Com isso, a gigante de tecnologia foi condenada a desembolsar 634 milhões de dólares, valor próximo ao solicitado pela Masimo como compensação por royalties.
A decisão veio após anos de disputas paralelas, que incluíram alegações de segredos comerciais e até uma ordem de proibição de importação emitida por um órgão federal, medida que obrigou a Apple a alterar componentes de alguns modelos do relógio.
Apple rejeita acusações e diz que vai recorrer
A Apple rejeitou as acusações durante todo o processo. Em sua defesa, afirmou que o Apple Watch não pode ser classificado como um monitor clínico, porque depende da colaboração e da imobilidade do usuário, diferentemente de aparelhos projetados para vigilância contínua em hospitais.
A empresa também questionou o valor pedido pela Masimo e alegou que a tecnologia mencionada era antiga e já não teria relevância competitiva. Após o veredicto, a Apple reafirmou que discorda do entendimento do júri e informou que irá recorrer.
O desfecho marca uma vitória importante para a Masimo, que considera a proteção de suas patentes essencial para continuar desenvolvendo soluções médicas.
Para a Apple, o caso representa mais um capítulo na batalha jurídica em torno das funções de saúde do Apple Watch, área que se tornou estratégica em sua linha de produtos.





