O plano de saúde desempenha um papel essencial no acesso a serviços médicos no Brasil, especialmente diante das limitações do sistema público.
No entanto, uma nova pesquisa revelou uma contradição preocupante: embora oferecidos como um benefício, muitos trabalhadores estão evitando utilizar seus planos. O motivo? A coparticipação.
Segundo um levantamento com mais de três mil trabalhadores que possuem plano de saúde empresarial, seis em cada dez afirmaram pensar duas vezes antes de usar o serviço por receio dos custos adicionais.
6 de cada 10 trabalhadores evitam plano por causa da coparticipação
A coparticipação é uma modalidade contratual em que o beneficiário paga, além da mensalidade, um valor extra sempre que utiliza o plano, seja em consultas, exames ou outros procedimentos.
Esse modelo foi criado com o intuito de reduzir os custos fixos mensais, tornando os planos mais acessíveis tanto para empresas quanto para usuários.
Contudo, o efeito prático tem sido o oposto do desejado: o medo de gastos imprevistos está afastando os trabalhadores dos cuidados médicos.
Entre funcionários de níveis mais baixos, como cargos de entrada e analistas, a preocupação é ainda maior, cerca de 71% evitam usar o plano para não comprometer o orçamento.
Esse comportamento tem implicações diretas na saúde dos beneficiários. Muitos adiam exames e consultas importantes, o que pode resultar em diagnósticos tardios e agravamento de doenças.
Em vez de incentivar o uso consciente, a coparticipação tem levado ao não uso, um reflexo do impacto financeiro sentido por quem depende do benefício.
Levantamento do Procon mostrou insatisfação de brasileiros com plano de saúde
Paralelamente, um levantamento conduzido pelo Procon-SP em 2024 reforça a insatisfação dos consumidores com os planos de saúde.
Realizada com quase 3 mil pessoas, a pesquisa revelou que grande parte dos usuários relata dificuldades com agendamento de consultas, mudanças inesperadas na rede credenciada e falta de canais eficazes para resolução de problemas.
Além disso, o estudo mostrou que os planos coletivos, que representam a maioria do mercado, foram os mais atingidos por reajustes superiores a 10% no último ano, especialmente os contratados por adesão, com aumentos que chegaram a ultrapassar os 50%.
O cenário desenhado por essas duas pesquisas indica um desafio para o setor: tornar os planos de saúde mais acessíveis, previsíveis e centrados no usuário. Caso contrário, um benefício que deveria proteger, pode acabar sendo evitado por quem mais precisa dele.





