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A cidade precisa saber cuidar

Pitico Fernando Priamo
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Um senhor de 82 anos morreu, domingo passado, no Dia dos Pais, após se engasgar em um restaurante de um shopping na nossa cidade.

A morte dessa pessoa idosa me trouxe algumas reflexões. Por exemplo: ela não pode ser recebida por nós com o silêncio de que “já tinha vivido bastante”. Não. Toda vida importa em qualquer idade. Uma outra reflexão é a de que, quantos de nós, saberíamos o que fazer diante de uma pessoa idosa, que estivesse se engasgando ao nosso lado, próximo à nossa mesa de almoço?

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Um outro exercício de imaginação que eu faço, somente pela leitura dessa notícia na mídia local e sem registrar nenhum julgamento de valor no que aconteceu: esse senhor estava sozinho? tinha alguma companhia? Levanto essas questões para afirmar que, no envelhecimento, redes de convivência e solidariedade fazem toda diferença na vida cotidiana de todos nós.

Reconheço, e é fácil de a gente compreender, que um engasgo pode acontecer com qualquer um de nós, independente da idade. Na velhice é diferente: dificuldades de mastigação e de deglutição podem aumentar o risco de complicações maiores, levando à óbito, como foi o caso dessa ocorrência.

Precisamos falar sobre disfagia. Precisamos capacitar mais pessoas sobre como abordar as pessoas idosas. O que aconteceu com esse senhor traz um alerta: nossa cidade está preparada para cuidar de quem envelhece?

Envelhecer não deve ser entendido como uma etapa da vida que temos que deixar de viver a nossa cidade. Uma pessoa idosa tem o direito de frequentar shoppings, praças, cinemas, clubes. Quanto mais as pessoas idosas vão usufruindo do direito de estarem na cidade, viverem a cidade e desfrutarem da cidade, mais precisamos pensar em restaurantes, transportes, lazer, comércio e cultura preparados para receberem as diferentes condições do envelhecimento.

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Essa é uma tragédia que não pode terminar na notícia. Ela precisa nos fazer pensar sobre a cidade que estamos construindo para todos nós que estamos envelhecendo. A questão de fundo que passa na minha cabeça, não é apenas saber o que aconteceu com esse senhor no restaurante. Poderia ter acontecido em outro ambiente coletivo, qualquer. O que fica é o seguinte: os espaços de convivência, de um modo geral, estão preparados suficientemente para agirem diante de emergências envolvendo pessoas idosas?

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