
É muito curioso quando o diretor de um filme indicado ao Oscar volta a público para pedir desculpas. Diante de uma repercussão negativa, é difícil não desconfiar de que o gesto também busque reparar a própria imagem após o equívoco. O cineasta Óliver Laxe, responsável pela direção de “Sirat”, fez uma nova declaração a fim de reverter a polêmica gerada por sua fala contra os brasileiros e seu engajamento envolvendo o filme “O agente secreto”, de Kleber Mendonça Filho, que recebeu quatro indicações.
Depois de causar grande alvoroço, o cineasta se desculpou, alegando que estava apenas usando de ironia em um programa de humor e que seu comentário foi retirado do contexto. Será que ele estava sendo irônico mesmo, ou apenas tentava disfarçar sua arrogância com humor?
Na ocasião das indicações do longa brasileiro à premiação, Laxe, durante entrevista a um talk show na TV espanhola, disse que “se os brasileiros inscrevessem um sapato no Oscar, todos votariam nele”. A fala dele também veio acompanhada da afirmação de que brasileiros seriam “ultranacionalistas”.
A declaração repercutiu mal, porque o filme dirigido por Laxe concorre com o representante nacional na premiação na categoria de melhor filme internacional. Ao fazer piada com o engajamento dos brasileiros, o cineasta constrói a ideia de uma presença massiva de membros do Brasil entre os votantes da Academia, algo que, na prática, facilitaria a premiação no Oscar.
Todavia, a suposição de Laxe não se sustenta, porque a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas é composta por cerca de 10 mil membros e, deste total, aproximadamente 80 são brasileiros. Ou seja, a força dos brasileiros é claramente insuficiente para ser capaz de influenciar no voto.
Depois da declaração de Óliver Laxe, brasileiros invadiram a conta de “Sirat” no Instagram e não deixaram a alfinetada sem resposta. Emojis de sapatos e gifs divertidos não param de pipocar nos comentários. Com humor, a reação dos brasileiros colocou à prova a arrogância do cineasta.
A premiação acontece em 15 de março, em Los Angeles, nos Estados Unidos. Até lá, haverá tempo suficiente para que a ironia se imponha como resposta a quem, de alguma forma, confunde piada com desdém e tenta jogar um balde de água fria na empolgação alheia. Se houve a intenção de enfraquecer o representante brasileiro na disputa, a habilidade nacional de reapropriar a ironia parece servir, exatamente, para o contrário.
