Teatro, memória em cena


Por Pedro Moysés

20/08/2025 às 07h00

A morte de uma importante voz da história teatral do país nos relembra que teatro não se faz apenas de estreias e aplausos, mas também de memórias. No mês em que se celebra o Dia Nacional do Artista de Teatro, a lembrança se torna ainda mais necessária: entre encontros, espetáculos e reencontros, fica a sensação de que o teatro é, antes de tudo, permanência, mesmo quando perde uma de suas vozes.

A dramaturga juiz-forana, Maria Helena Kühner, partiu no último dia 8, deixando uma obra que resiste ao tempo. Em peças como “Putz, a menina que buscava o sol” – montada em  Juiz de Fora em 1985 pelo Grupo Divulgação – ela mostrou que o palco infantil não é espaço menor, mas sim terreno fértil para a imaginação e para o pensamento. Se para Antonio Hohlfeldt, Kühner, talvez fosse a segunda “senão a principal autora contemporânea de teatro infantil no Brasil”, conforme texto publicado por ele em março de 1976, nós, juiz-foranos, não podemos deixar sua memória esvair.

Teatro é memória
(Foto: Grupo Divulgação)

A lembrança de Kühner dialoga com a semana intensa da 22ª Campanha de Popularização do Teatro e da Dança, que, entre tantos espetáculos, reserva ao público uma programação recheada de teatro infanto-juvenil. É um convite para pais, mães, avós e responsáveis: levar uma criança ao teatro é, sem sombra de dúvida, um dos mais belos gestos de formação cultural que se pode proporcionar.

Em tempo, uma frase de Pirandello, usada por Kühner em um de seus artigos, que deve servir de norte a quem se propõe produzir esses espetáculos: “Fazer teatro infantil é o mesmo que fazer teatro para adultos: só que é mais difícil”.

Dia do Artista de Teatro

O Dia do Artista de Teatro é celebrado em 19 de agosto, data em que, em 1978, foi instituída a Lei nº 6.533, que regulamenta as profissões de artistas e técnicos de espetáculos no Brasil. A escolha marca não apenas o reconhecimento legal da categoria, mas também a afirmação simbólica da importância do ofício teatral para a cultura nacional.

Vem por aí

Se a Campanha já vinha aquecida, agora entra em sua fase mais movimentada. De quinta a domingo, o público terá à disposição 14 peças em 15 sessões, reafirmando o vigor e a força da cena local e a potência de reunir gente em torno de histórias.  Todos os ingressos podem ser adquiridos no trailer da APAC , no Parque Halfeld.

Fora da campanha, a peça “Deboche – a tragédia” também estará em cartaz esta semana. Na quarta-feira (20), às 20h, no Teatro Paschoal Carlos Magno. Os ingressos podem ser adquiridos no Sympla.

Confira a Agenda da 22ª Campanha de Popularização do Teatro e da Dança:

Infantis

“A verdadeira princesa” (últimas apresentações): sábado, às 17h, e domingo, às 11h, no Teatro do Forum da Cultura

“Dois idiotas sentados cada qual no seu smartphone”: sábado, às 16h, no Teatro Solar – acessível em Libras

“A bruxinha que era boa”: domingo, às 16h, no Teatro Solar

“O mistério do teatro voador”: sábado, às 16h, no Teatro Paschoal Carlos Magno

“A cigarra e a formiga”: domingo, às 16h, no Teatro Paschoal Carlos Magno

Dança

“RAQSA, a dança: um espetáculo em dois atos”: sábado, às 20h, no Teatro Solar

Comédia e Tragicomédia

“Mentiras que te contam: a ‘3ª’ idade é a melhor; pernilongo ‘tb’ tem alma; e outras mais picantes!”: quinta-feira, às 20h, no Teatro Paschoal Carlos Magno

“Minha sogra é um pitbull”: sábado, às 20h, no Teatro Paschoal Carlos Magno

“Meu amor, o que você faria se só te restasse este dia?”: sábado, às 19h, na Sala Multimeios do Museu Ferroviário – acessível em Libras

Drama e Terror

“Entre 4 paredes”: sábado e domingo, às 20h, no Museu do Crédito Real

“Quanto vale?”: sexta, às 20h, no Teatro Paschoal Carlos Magno – acessível em Libras

“A copa”: domingo, às 19h, na Sala Multimeios do Museu Ferroviário

“O véu da fúria”: domingo, às 20h, no Teatro Paschoal Carlos Magno – acessível em Libras

“O preço da cura”: domingo, às 20h, no Teatro Solar – acessível em Libras