Mercado livre ajuda a cortar custos


Por GRACIELLE NOCELLI

11/10/2015 às 07h00- Atualizada 13/10/2015 às 08h34

Onduline utiliza energia livre há quatro anos (Marcelo Ribeiro/02-10-15)

Onduline utiliza energia livre há quatro anos (Marcelo Ribeiro/02-10-15)

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Em meio à explosão dos preços das contas de luz, que este ano tiveram dois reajustes consecutivos para os juiz-foranos, e a incidência das bandeiras tarifárias, a compra de energia elétrica no mercado livre se mostra como uma alternativa para as grandes empresas reduzirem esta despesa em até 50%. A opção é dada para estabelecimentos que tenham demanda a partir de 500 kW hora. Nesta lista, entram indústrias de grande porte e redes de supermercados, shoppings e hotéis, além de condomínios comerciais. Apesar das vantagens econômicas em relação ao mercado cativo – em que o consumidor compra energia elétrica de uma concessionária ou permissionária com tarifa fixa -, o mercado livre ainda é pouco utilizado em Juiz de Fora (ver quadro). No dia 15, a Fiemg Zona da Mata realiza em sua sede, na Avenida Garcia Rodrigues Paes,12.395, Bairro Industrial, evento sobre o tema direcionado aos empresários.

Há quatro anos, a Onduline do Brasil optou pelo mercado livre. “O impacto foi extremamente significativo, tivemos redução de 25% dos custos”, conta o gerente industrial Marcyr Santos. Segundo ele, a saída do mercado cativo está em conformidade com a proposta da empresa de sempre buscar medidas econômicas. “Das nossas dez fábricas ao redor do mundo, a unidade juiz-forana é a que consome menos energia.” A indústria atua na fabricação de telhas de fibra vegetal, e os gastos com energia elétrica e gás natural correspondem a 10% das despesas totais. Marcyr afirma que, ainda como medida de economia, a Onduline possui uma equipe responsável por acompanhar processos internos e avaliar equipamentos, de modo a garantir a eficiência energética. “A adesão ao mercado livre exige um acompanhamento constante do que se gasta, de modo a não consumir mais do que estabelecido em contrato.”

De acordo com o engenheiro eletricista e coordenador da rede de lojas Marisa, Marco Amaral, a unidade juiz-forana irá migrar para o mercado livre em breve. “Diante dos aumentos da tarifa de energia realizados pelo Governo, é essencial uma medida para baratear os custos. Já testamos em outras lojas e verificamos economia de até 50%. A nossa proposta é fazer o mesmo com todas as unidades.” A economia é possível porque a precificação da energia no mercado livre segue as regras de oferta e procura, similar ao que ocorre com commodities. O preço é estabelecido semanalmente e pode ser acompanhado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), órgão que viabiliza as atividades de compra e venda.

“Como os contratos são de médio e longo prazo, os consumidores não sofrem impactos com alta de preços e incidência de bandeiras tarifárias, ainda é possível prever as despesas”, explica o engenheiro eletricista e diretor comercial da empresa juiz-forana Arion Otimização em Energia, Carlos Montovani. O especialista destaca, ainda, que diferente do que acontece no mercado cativo, não há diferença na cobrança pelo uso da energia nos horários considerados de pico, o que permite melhorar as questões produtivas do negócio. “O cliente paga pela disponibilidade da energia, e o valor é bem mais atrativo”, explica. “É um mercado regulamentado, acessível e que vem crescendo nos últimos anos em todo o país.”

Apesar das vantagens econômicas, o mercado livre de energia ainda é pouco utilizado na cidade. “É uma boa solução para a redução de custos, mas é uma opção para poucos, já que nem todos têm uma demanda de, pelo menos, 500 kW hora”, avalia o presidente da Fiemg da Zona da Mata, Francisco Campolina. Para ele, os empresários que têm condições de migrar não o fazem por desconhecerem a opção. Por isso, a entidade irá promover um evento sobre o tema na cidade. Ele observa que o setor está entre os maiores consumidores de energia e é o que mais está sofrendo com a elevação das tarifas. Em algumas indústrias, o gasto representa 70% das despesas totais. “Os industriais de todos os segmentos estão sentindo. O preço não condiz com a nossa produção.” Campolina acredita que o mercado livre é uma alternativa interessante para resolução de parte destes problemas.

Cuidado

O presidente da Fiemg da Zona da Mata, alerta, no entanto, sobre a necessidade de maior planejamento para a contratação neste tipo de mercado. Se, por um lado, o contrato de médio e longo prazo tem o aspecto positivo de garantir a previsibilidade de gastos, ele não dá a oportunidade de adequação do uso de energia conforme a variação da produção. “Você paga pela disponibilidade. Então, se usar menos porque está produzindo menos, não haverá queda no valor contratado. Se precisar de ampliar a produção e aumentar o consumo, deverá recorrer a um novo contrato.” Ele também ressalta que as dificuldades com a distribuição de energia enfrentadas por empresários da cidade não são corrigidas com a adesão ao mercado livre, já que o canal distribuidor continua sendo a Cemig.