JF perde 1.481 postos de trabalho no ano


Por FABÍOLA COSTA

18/07/2015 às 07h00- Atualizada 18/07/2015 às 19h49

Desde o início do ano, Juiz de Fora perdeu 1.481 postos de trabalho. O resultado do semestre comprova o cenário de demissões (33.945) superiores às contratações (32.464) na cidade e é quase três vezes maior do que o verificado no mesmo período de 2014 (-502). Na análise de junho, são menos 513 empregos formais. No mesmo mês do ano anterior, o resultado também foi negativo, mas em menor percentual: -158. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e foram divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

O Caged apontou, ainda, que o comércio é recordista em fechamento de vagas no ano, com saldo negativo de 1.127 empregos. Em seguida estão construção civil (-267) e indústria da transformação (-97). No mês, no entanto, a indústria tomou a frente em volume de desligamentos, com corte de 180 empregos formais. Em junho, o comércio ficou em segundo lugar (-151), seguido pelos serviços (-128).

Para o economista Antônio Flávio Luca do Nascimento, a curva industrial já era descendente, comprovando o arrefecimento decorrente da conjuntura econômica atual. O economista destaca a redução nos investimentos, em função da incerteza ante os rumos da economia, além dos recentes aumentos que impactaram os custos, como os de energia elétrica e combustíveis. “Com a política atual, vai continuar havendo demissão e contratação com valor menor.” Na avaliação dele, as demissões são uma forma de adequar a produção ao consumo, retraído. “Fica mais fácil demitir do que procurar alternativa de produtividade que possa solucionar o problema.” O economista cita o desemprego acelerado e o endividamento crescente das famílias e considera a situação “dramática”. “É um cenário muito ruim.”

 

Ministro otimista

Com a criação de 9.746 postos, Minas Gerais foi o estado que mais gerou empregos em junho. O número, no entanto, é 38% menor do que o verificado no mesmo mês de 2014. No país, o Caged indicou uma redução de 111.199 postos de trabalho ante maio. No primeiro semestre, a perda chega a 345.417 vagas. Nos últimos 12 meses, o recuo foi de 601.924 postos de trabalho na série ajustada.

Para o ministro do Trabalho e Emprego, Manoel Dias, é preciso manter o otimismo quanto à recuperação da economia e dos postos de trabalho neste segundo semestre. “Apesar de ser mais um mês negativo, já podemos notar uma redução no ritmo das demissões. Isso será potencializado com a entrada do Programa de Proteção ao Emprego (PPE), com a consolidação das medidas do ajuste fiscal e de investimentos, como os previstos no Programa de Investimento em Logística (PIL).”