Fábrica do ILCT pode produzir para o varejo


Viabilizar a operação comercial da fábrica-escola do ILCT em “um período bastante curto”, retomar a periodicidade anual do Minas Láctea – suspenso no ano passado e cuja edição deste ano está agendada para julho -, ampliar a produção científica no desenvolvimento de tecnologias, produtos e serviços e contratar novos professores para o curso técnico são algumas das metas do novo presidente da Epamig, Rui da Silva Verneque. Em entrevista à Tribuna, o mineiro, doutor em Estatística e Experimentação Agronômica pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiróz (USP), pesquisador da Embrapa há mais de 30 anos e produtor rural falou sobre a importância estratégica do Instituto de Laticínios Cândido Tostes (ILCT) na missão da instituição. A ideia, diz, é conduzir os trabalhos em Juiz de Fora de forma planejada, mas conservadora. O presidente virá a Juiz de Fora hoje para a abertura da 36ª Semana do Laticinista, que comemora os 80 anos do ILCT no dia 14.
Tribuna – Quais são os planos do senhor para o ILCT?
Rui Verneque – O ILCT é um dos mais tradicionais sistemas que integra ensino, pesquisa e indústria em um único local, envolvendo uma competência instalada por meio de pessoal técnico altamente capacitado, infraestrutura existente e marca consolidada no mercado. Nossos planos são colocar o sistema Epamig-ILCT em funcionamento imediatamente. Queremos colocar a fábrica em operação em uma escala que possibilite atender aos objetivos da pesquisa, do ensino e da indústria, além de oferecer ao mercado produtos com a marca da empresa, sinônimo de credibilidade. Queremos, com isto, fortalecer a marca Epamig.
– Depois de ter sido suspenso em 2014, o Minas Láctea está anunciado para este ano. O evento pode voltar a ser anual?
– O mercado atual é muito competitivo, e a demanda por informações técnicas em todos os setores da economia é crescente. Assim, se depender da diretoria da Epamig, o evento continuará a ser anual. O Minas Láctea atende a demanda dos parceiros, dando-lhes plenas condições de apresentarem as novidades no mercado de máquinas, equipamentos e de produtos no setor lácteo. No evento teremos, além das Expomaq e Expolac, os tradicionais concurso de produtos lácteos e o Congresso Nacional de Laticínios. Queremos continuar o evento anualmente, dando destaque a parcerias e somando um maior foco científico.
– Apesar da revitalização da fábrica-escola do ILCT, que consumiu R$ 3,3 milhões, e da entrega da obra em 2013, ela continua inoperante (na produção comercial de derivados de leite). Quais são os planos do senhor para a unidade?
– Nosso plano é colocar a fábrica e o varejo em operação em um período bastante curto, ofertando produtos de qualidade para a sociedade e gerando recursos financeiros para subsidiar a pesquisa e o ensino. A reforma da fábrica está praticamente concluída. No período em que a mesma ficou com suas atividades interrompidas, o número do Serviço de Inspeção Federal (SIF) foi desativado. Agora estamos com o SIF praticamente recuperado, e os selos para os produtos estão em fase final de modelagem. Estamos negociando parceria para trabalhar conosco na gestão administrativa, de modo a possibilitar a aquisição de matéria-prima para produzirmos os produtos desejados. Isto porque a escala de produção de leite da Epamig na região é insuficiente para atender a demanda mínima para operacionalização da fábrica. Nossa intenção é produzir queijos, manteiga, requeijão, iogurtes, bebidas lácteas e o tradicional doce de leite Epamig-Cândido Tostes. Serão produzidos diferentes tipos de queijos, desde o minas padrão até o parmesão.
– Há alguma mudança prevista no curso técnico? E o esperado curso superior de leite e derivados?
-A proposta é conduzir os trabalhos na Epamig-ILCT de forma planejada, porém conservadora. Não vamos ousar muito no momento, tendo em vista que dispomos de pouca margem para novos investimentos. O curso técnico será apoiado e incentivado e contrataremos novos professores para atender demandas da equipe.
– Como está a produção de pesquisa científica em Juiz de Fora?
-Hoje a equipe está conduzindo 15 projetos de pesquisa em diversas áreas de processamento da indústria de laticínios. A produção é compatível com o número de projetos executados, mas poderemos ampliá-la, especialmente com publicações em periódicos de maior impacto científico e tecnológico. Nossa compreensão é que, sem pesquisa, a empresa não se sustenta. Assim, nosso trabalho na Epamig deverá focar cada vez mais a pesquisa. Temos lembrado à equipe que a Epamig é uma empresa que precisa atuar no desenvolvimento de tecnologias, produtos, processos e serviços. E isto não será apenas palavras, deverá se traduzir efetivamente em ações. Estamos criando um sistema de acompanhamento e avaliação de desempenho por meio do qual o pesquisador será avaliado principalmente pela produção científica.










