Produção de caminhão deixa JF

Linha de produção do Accelo será transferida para São Bernardo do Campo em
São Paulo – A Mercedes-Benz confirmou oficialmente a decisão de transferir, gradualmente, a produção de caminhões feita hoje em Juiz de Fora para São Bernardo do Campo (SP). Em contrapartida, vai concentrar, a partir de 2016, a produção de cabinas e pintura de todos os veículos comerciais da montadora. Para isso, a empresa anunciou investimento de R$ 230 milhões, até 2018, para duplicar e ampliar as instalações da linha de montagem bruta na unidade local. O objetivo da medida é “aumentar a competitividade, a flexibilidade e a sinergia” entre as fábricas mineira e paulista e utilizá-las de “forma mais eficiente”.
O anúncio foi feito ontem pelo presidente da Mercedes-Benz do Brasil e CEO América Latina, Philipp Schiemer, a um grupo de jornalistas, em São Paulo. Segundo ele, Juiz de Fora produz hoje cerca de dez mil cabinas por ano para o modelo Accelo. Com a centralização do serviço na cidade, a demanda ficaria entre 40 mil e 50 mil, com potencial de atingir a marca de 80 mil.
Conforme Schiemer, a produção do Accelo será direcionada para São Bernardo do Campo em 2016. O modelo concentra mais de 90% da produção juiz-forana, estimada entre 12 e 13 mil unidades por ano. Por enquanto, a produção do Actros continua na cidade. A previsão de 2018 para transferência do extrapesado não foi confirmada pelo CEO.
Sobre a mão de obra, hoje são 750 trabalhadores diretos, sendo 168 em lay-off, o presidente comentou que “os postos de emprego devem estar mantidos neste nível até 2016”. O executivo confirmou excedente na cidade o mesmo número dos funcionários que estão com os contratos de trabalho suspensos temporariamente. “Ninguém gosta de demitir. Estaríamos mais felizes se houvesse trabalho para todos eles.”
Destacando a qualificação dos trabalhadores e o permanente investimento neles, Schiemer disse que “até o último minuto” pretende manter esse pessoal empregado. Esclareceu, porém, que a necessidade de mão de obra não depende de estratégia da empresa, mas do volume de mercado.
Outras medidas de contenção comunicadas ontem, que valem tanto para Juiz de Fora quanto para São Bernardo, foram implantação de banco de horas em outubro e novembro e férias coletivas em dezembro, com a interrupção da produção nas fábricas durante o último mês do ano.
Definindo a planta juiz-forana como uma unidade moderna, o executivo destacou que a Mercedes mantém a fábrica desde 1997, atualmente não conta com incentivos municipais, nem estaduais, e que, principalmente com a centralização dos segmentos de montagem bruta e pintura, a planta passa a ter “papel fundamental” para a empresa.
Em busca de eficiência
Segundo o presidente, a decisão estratégica de reorganizar as linhas de produção no país aconteceu há cerca de um ano e meio. “A empresa está reestruturando as áreas produtivas de caminhões em suas plantas com o objetivo de garantir a eficiência das unidades fabris no país, aumentando, assim, a competitividade da companhia nos mercados interno e externo.” Outro objetivo é ganhar flexibilidade para gerir o negócio e responder mais rapidamente a demandas de vendas.
Com a saída dos setores de montagem bruta e pintura de São Bernardo do Campo, explica, ganha-se espaço para que a unidade paulista absorva a montagem final, hoje, de certa forma, dividida com Juiz de Fora. Lá, o investimento anunciado chega a R$ 500 milhões para modernizar e ampliar as instalações. A unidade paulista é considerada a maior planta produtiva da empresa na América Latina.
O investimento de R$ 730 milhões será feito entre 2015 e 2018. Com ele, segundo a montadora, chega-se ao montante de R$ 3,2 bilhões aplicados nas duas unidades até 2018, considerado pela Mercedes o maior programa de investimento do país para veículos comerciais.
Momento turbulentos nas unidades
O presidente da Mercedes-Benz do Brasil iniciou sua fala afirmando que a montadora, assim como o mundo, passa por “momentos turbulentos”. Schiemer estimou queda de 15% na venda de caminhões e ônibus em 2014 ante o ano passado e retração de 50% nas exportações para a Argentina, o principal mercado consumidor da marca. No entanto, identificou aumento de participação no mercado em 26%, revertendo tendência verificada nos últimos anos.
A situação para 2015 é considerada preocupante, gerando dúvidas e incertezas, mas ele se considera otimista e acredita que haverá reação do mercado, principalmente pela necessidade de renovação da frota. Apesar do quadro atual, Schiemer pontuou que a reorganização da linha produtiva nas fábricas mineira e paulista independe do momento e das perspectivas econômicas do país e do mundo.
Ausência em Brasília
Sobre o encontro da última quinta-feira, em Brasília, articulado pela deputada Margarida Salomão (PT) com o ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Mauro Borges, para discutir sobre o futuro da planta local da Mercedes, Schiemer garantiu não ter sido convidado. “Compareço em todas as reuniões com o ministro, sempre que sou convocado. Desta vez, não fui convidado.” Na reunião, participaram, além do ministro e da parlamentar, o prefeito Bruno Siqueira (PMDB), o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg-Zona da Mata), Francisco Campolina, e o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, João César da Silva.
Assessoria da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) informou que tanto Bruno como Margarida explanaram sobre os prejuízos que a saída da montadora de Juiz de Fora podem causar ao Município e ao Estado. Diante dos relatos, o ministro teria certificado ao grupo que irá buscar meios para manter a Mercedes na cidade.
O Sindicato dos Metalúrgicos de Juiz de Fora, por meio de sua assessoria de comunicação, informou que hoje os diretores sindicais devem definir as estratégias para dar continuidade à mobilização dos trabalhadores, parados há cinco dias. Eles buscam a manutenção dos postos de trabalho na planta local.









