Seguros crescem 18% em quatro anos


Por BÁRBARA RIOLINO

10/10/2014 às 06h00

O número de apólices de seguro ofertadas para automóveis e residências cresceu, pelo menos, 18% nos últimos quatro anos, de acordo com o Sindicato das Empresas de Seguros Privados dos Estados de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Distrito Federal (Sindseg MG/GO/MT/DF). Em 2014, a entidade aguarda números menores, porém, positivos para o setor, mesmo diante de fatores que seguem na contramão desta estimativa, como o aumento da sensação de insegurança, um dos principais motivos que impulsiona a negociação destes contratos.

“Estamos em um ano atípico, mas o mercado das seguradoras registrou um crescimento grande em dez anos, muito em função do aumento da renda da população e na segurança em adquirir um bem por meio do financiamento, o que não era possível décadas atrás por conta da inflação”, avalia o vice-presidente do Sindseg, Angelo Vargas. Ele acrescenta, ainda, que outro fator ligado à procura dos seguros é a mudança de cultura do brasileiro que, a partir da obtenção de um patrimônio, tem pensando em mantê-lo e ser ressarcido após danos.

Em Juiz de Fora, a contadora Thais Brandão, 48 anos, ilustra bem esse perfil. Seguindo os passos do pai, que sempre buscou assegurar seus bens, ela possui seguros para o carro, a casa e até de vida. “É um hábito de família, e é importante ter essa consciência, pois trata-se de nosso patrimônio. Nós pagamos por ele e, se algo de grave acontece, quem irá arcar com o prejuízo?”, indaga. Há um ano, Thais precisou acionar o seguro depois de ter problemas com o carro, que apresentou perda total em um acidente. “A seguradora cuidou de tudo, e, rapidamente, tivemos o dinheiro liberado. O seguro não é um gasto, é investimento.”

No entanto, para o delegado regional do Sindicato dos Corretores de Seguro, Empresas Corretoras do Estado de Minas (Sincor/MG), Rogério Dilly, a maioria da população não pensa dessa forma e só procura uma seguradora depois de ter arcado com algum tipo de prejuízo. “A procura deveria ser maior. Apólices de carros ainda são mais comuns, mas para residências, por exemplo, o caminho ainda é longo. Depois do incêndio da Rua Floriano Peixoto, em 2011, muitas empresas buscaram por seguros contra incêndio.”

Prejuízo

Itens visados por criminosos, como smartphones e tablets, além de outros eletrônicos, têm despertado o interesse do consumidor para um novo nicho de apólices, porém, pouco ainda explorado pelas seguradoras. Conforme pesquisa feita pela Tribuna, apenas uma empresa no Brasil oferece o serviço, mas, com restrições no contrato, sobretudo relacionadas ao tempo de uso, que não pode exceder mais de um ano. “As seguradoras temem este tipo de produto. Para se ter uma ideia, no arrastão recente registrado no Rio de Janeiro, mais de 70 celulares foram roubados. Na visão das empresas, isso chega a ser mais prejuízo do que negócio”, destaca Dilly.

Consumidor deve verificar as cláusulas

O consumidor, quando contrata uma seguradora, espera ter garantias de que o valor do bem assegurado será ressarcido após o dano. Porém, antes de assinar o contrato, a coordenadora institucional da Proteste, Maria Inês Dolci, orienta a procurar orçamentos em diversas empresas e buscar simulações disponíveis na internet, uma vez que os valores podem variar cerca de 30% entre elas. “Além disso, o consumidor precisa ler todas as cláusulas do documento e verificar quais tipos de serviços estão inclusos, bem como os benefícios.”

Maria Inês alerta que no seguro para automóveis, por exemplo, é preciso saber qual oficina está autorizada a prestar o serviço em caso de sinistros. No caso de residências, é importante se informar antes se o local em que ela está localizada possui restrições. “Por conta de históricos, há lugares em que as seguradoras não cobrem prejuízos causados por enchentes, por exemplo.”

O delegado regional do Sincor/MG, Rogério Dilly explica que os seguros, tanto para carros como para casas, não possuem valores tabelados e são estabelecidos a partir do perfil do contratante. “No caso dos automóveis, a idade do condutor, o tempo de habilitação e o modelo do carro influenciam no contrato. Já nas residências, a empresa irá catalogar todos os bens dispostos nos cômodos. Eletrodomésticos podem ser repostos, caso tenham até, no máximo, cinco anos de uso. Joias e obras de arte não estão inclusas nos seguros comuns e, no Brasil, poucas empresas disponibilizam apólices para esses objetos.”