JF tem pior resultado no Caged


Francisco Campolina não vê ‘nada de excepcional’ na indústria


Leomar Delgado diz que construção teve ano difícil


Para Emerson Beloti, serviço é o primeiro a perder
Juiz de Fora fechou o ano de 2014 com o pior resultado na geração de empregos dos últimos 11 anos, conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Pela primeira vez, desde 2003, a cidade encerrou o ano com saldo negativo de vagas, o que significa que o número de demissões foi superior às admissões. No total, foram contabilizadas as perdas de 22 postos de trabalho. No ano anterior, em 2013, o município criou 2.210 empregos formais, uma queda de 67% em comparação com as 6.685 oportunidades geradas em 2012. Até então, o menor resultado registrado havia sido em 2003, quando foram criadas 851 vagas.
Os dados mostram, ainda, que o resultado de dezembro do ano passado, com perda de 1.092 postos de trabalho, também foi o pior dos últimos 11 anos. Indústria, serviços e construção civil tiveram registros negativos no mês em 485, 406 e 333 vagas, respectivamente. Somente o comércio conseguiu manter o saldo positivo, com a geração de 143 oportunidades. O desempenho mais fraco para um mês de dezembro, até então, havia sido em 2012, quando o saldo ficou negativo em 720 vagas.
Entre os representantes dos setores econômicos é unanimidade que 2014 foi um “ano difícil”. No acumulado dos 12 meses, novamente indústria, serviços e construção civil registraram perdas de postos de trabalho. Para o presidente do Centro Industrial e Sindicato da Construção Civil de Juiz de Fora (Sinduscon-JF), Leomar Delgado, os números já eram esperados. “Foi um ano atípico por causa das eleições e da Copa do Mundo. As construtoras não quiseram arriscar. O ritmo da construção civil caiu muito e tivemos baixa produtividade diante da conclusão de alguns trabalhos e redução do número de obras iniciadas.”
Leomar diz que a perda de 122 postos de trabalho pela construção civil no acumulado do ano tem sido percebida pelo setor. “Estamos acompanhando muitos trabalhadores em busca de emprego. Mas a oferta, infelizmente, está menor do que a procura.” Segundo ele, as perspectivas para este ano não são animadoras. “O resultado negativo do ano passado foi reflexo da situação econômica do país. Vamos ter que esperar para ver como a economia irá reagir este ano. No entanto, até agora, só estamos acompanhando a alta de impostos.”
O presidente do Sindicato do Comércio (Sindicomércio-JF), entidade que representa também o setor de serviços, Emerson Beloti, ressalta a preocupação em esperar a chegada das mudanças econômicas. “Nosso principal problema é o tempo que vamos demorar para ter uma melhora capaz de reverter esta situação.” Beloti destaca que o endividamento das famílias e a consequente redução do poder de compra afetaram o consumo na cidade. “Quando a renda está alta, o setor de serviços é um dos que mais cresce. Mas quando ela diminui, ele é o primeiro a sentir a queda.” Isso explicaria o saldo negativo em 118 vagas no acumulado do ano.
De acordo com Beloti, mesmo o comércio, que fechou 2014 com saldo positivo em 476 empregos, enfrentou grandes dificuldades. “Foi um ano muito difícil. O número de oportunidades criadas é pequeno se compararmos que o varejo emprega 36 mil comerciantes.”
Embora concorde que o ano não foi dos melhores para o setor, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas (Fiemg) da Zona da Mata, Francisco Campolina, diz que “não há nada de excepcional” nos números do Caged. “Não é preciso alarde. O nosso setor vem empregando há cerca de oito anos consecutivos, é esperado que uma hora não haverá mais contratações, principalmente, se novos investimentos não chegam à cidade. No entanto, a perda de 319 empregos durante um ano é uma proporção pequena quando falamos de um universo em que há quase dez mil funcionários.”
Campolina destaca que em dezembro há encerramento da produção das indústrias do vestuário, o que explicaria o saldo negativo no mês. “É comum as indústrias demitirem nesta época e recontratarem por agora. Esta movimentação é normal no setor.” Ele também ressalta que a situação vivida pela Mercedes-Benz trouxe reflexos na indústria local.
Perspectivas
Já na análise do secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Geração de Emprego e Renda, André Zuchi, a crise do setor industrial que o Brasil viveu no ano passado foi um dos principais fatores que resultaram no desempenho negativo da cidade. “O resultado reflete a situação econômica que o país está atravessando nestes últimos dois anos, principalmente em 2014, no setor industrial. Se os investimentos programados para Juiz de Fora se realizarem em 2015 poderemos reverter a situação e apresentar um saldo positivo, apesar das enormes dificuldades que o país atravessa.”
No país
A criação de empregos com carteira assinada também teve em 2014 o pior resultado para o país. No ano, foram gerados 397 mil novos postos de trabalho, desempenho 64,5% inferior a 2013, quando o saldo atingiu 1,1 milhão de vagas. A indústria de transformação teve o pior desempenho entre os setores com fechamento de 163.817 postos de trabalho.










