JF tem pior resultado no Caged


Por GRACIELLE NOCELLI

24/01/2015 às 07h00

Francisco Campolina não vê 'nada de excepcional' na indústria

Francisco Campolina não vê ‘nada de excepcional’ na indústria

Leomar Delgado diz que construção teve ano difícil

Leomar Delgado diz que construção teve ano difícil

Para Emerson Beloti, serviço é o primeiro a perder

Para Emerson Beloti, serviço é o primeiro a perder

Juiz de Fora fechou o ano de 2014 com o pior resultado na geração de empregos dos últimos 11 anos, conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Pela primeira vez, desde 2003, a cidade encerrou o ano com saldo negativo de vagas, o que significa que o número de demissões foi superior às admissões. No total, foram contabilizadas as perdas de 22 postos de trabalho. No ano anterior, em 2013, o município criou 2.210 empregos formais, uma queda de 67% em comparação com as 6.685 oportunidades geradas em 2012. Até então, o menor resultado registrado havia sido em 2003, quando foram criadas 851 vagas.

Os dados mostram, ainda, que o resultado de dezembro do ano passado, com perda de 1.092 postos de trabalho, também foi o pior dos últimos 11 anos. Indústria, serviços e construção civil tiveram registros negativos no mês em 485, 406 e 333 vagas, respectivamente. Somente o comércio conseguiu manter o saldo positivo, com a geração de 143 oportunidades. O desempenho mais fraco para um mês de dezembro, até então, havia sido em 2012, quando o saldo ficou negativo em 720 vagas.

Entre os representantes dos setores econômicos é unanimidade que 2014 foi um “ano difícil”. No acumulado dos 12 meses, novamente indústria, serviços e construção civil registraram perdas de postos de trabalho. Para o presidente do Centro Industrial e Sindicato da Construção Civil de Juiz de Fora (Sinduscon-JF), Leomar Delgado, os números já eram esperados. “Foi um ano atípico por causa das eleições e da Copa do Mundo. As construtoras não quiseram arriscar. O ritmo da construção civil caiu muito e tivemos baixa produtividade diante da conclusão de alguns trabalhos e redução do número de obras iniciadas.”

Leomar diz que a perda de 122 postos de trabalho pela construção civil no acumulado do ano tem sido percebida pelo setor. “Estamos acompanhando muitos trabalhadores em busca de emprego. Mas a oferta, infelizmente, está menor do que a procura.” Segundo ele, as perspectivas para este ano não são animadoras. “O resultado negativo do ano passado foi reflexo da situação econômica do país. Vamos ter que esperar para ver como a economia irá reagir este ano. No entanto, até agora, só estamos acompanhando a alta de impostos.”

O presidente do Sindicato do Comércio (Sindicomércio-JF), entidade que representa também o setor de serviços, Emerson Beloti, ressalta a preocupação em esperar a chegada das mudanças econômicas. “Nosso principal problema é o tempo que vamos demorar para ter uma melhora capaz de reverter esta situação.” Beloti destaca que o endividamento das famílias e a consequente redução do poder de compra afetaram o consumo na cidade. “Quando a renda está alta, o setor de serviços é um dos que mais cresce. Mas quando ela diminui, ele é o primeiro a sentir a queda.” Isso explicaria o saldo negativo em 118 vagas no acumulado do ano.

De acordo com Beloti, mesmo o comércio, que fechou 2014 com saldo positivo em 476 empregos, enfrentou grandes dificuldades. “Foi um ano muito difícil. O número de oportunidades criadas é pequeno se compararmos que o varejo emprega 36 mil comerciantes.”

Embora concorde que o ano não foi dos melhores para o setor, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas (Fiemg) da Zona da Mata, Francisco Campolina, diz que “não há nada de excepcional” nos números do Caged. “Não é preciso alarde. O nosso setor vem empregando há cerca de oito anos consecutivos, é esperado que uma hora não haverá mais contratações, principalmente, se novos investimentos não chegam à cidade. No entanto, a perda de 319 empregos durante um ano é uma proporção pequena quando falamos de um universo em que há quase dez mil funcionários.”

Campolina destaca que em dezembro há encerramento da produção das indústrias do vestuário, o que explicaria o saldo negativo no mês. “É comum as indústrias demitirem nesta época e recontratarem por agora. Esta movimentação é normal no setor.” Ele também ressalta que a situação vivida pela Mercedes-Benz trouxe reflexos na indústria local.

Perspectivas

Já na análise do secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Geração de Emprego e Renda, André Zuchi, a crise do setor industrial que o Brasil viveu no ano passado foi um dos principais fatores que resultaram no desempenho negativo da cidade. “O resultado reflete a situação econômica que o país está atravessando nestes últimos dois anos, principalmente em 2014, no setor industrial. Se os investimentos programados para Juiz de Fora se realizarem em 2015 poderemos reverter a situação e apresentar um saldo positivo, apesar das enormes dificuldades que o país atravessa.”

No país

A criação de empregos com carteira assinada também teve em 2014 o pior resultado para o país. No ano, foram gerados 397 mil novos postos de trabalho, desempenho 64,5% inferior a 2013, quando o saldo atingiu 1,1 milhão de vagas. A indústria de transformação teve o pior desempenho entre os setores com fechamento de 163.817 postos de trabalho.