Estiagem prejudica alimentos

Carlyle diz que legumes cultivados embaixo da terra já apresentam reflexos da seca
O período de estiagem tem impactado a qualidade de alimentos que compõem o cardápio dos brasileiros. Além da carne que apresentou alta de 20% no valor comercializado, como a Tribuna mostrou nesta semana, os hotifrútis, por causa da falta de chuvas, têm chegado à mesa do consumidor ressecados e pouco desenvolvidos. Segundo a tabela semanal divulgada ontem pelo CeasaMinas, em Juiz de Fora, entre os produtos que apresentaram maior variação de preço estão o tomate e o pimentão verde. A caixa com 22 quilos de tomate é comercializada a R$ 40, 33,3% a mais do que na semana anterior. A embalagem com dez quilos de pimentão teve alta de 25%, custando R$ 25. O quiabo e o chuchu, que na segunda quinzena de setembro estiveram entre os mais caros, apresentaram queda de 20% nos preços.
Para o gerente do CeasaMinas de Juiz de Fora, Reinaldo Machado Freitas, de todos os alimentos comercializados pela entidade, a batata inglesa é a mais prejudicada pela seca. “Muitos produtores colheram o produto antes mesmo das chuvas chegarem, com isso, a batata ficou abundante no mercado. Com muita oferta, o preço caiu cerca de 30%”, pontua. Reinaldo acrescenta que estiagem nesta época é comum, mas já era para as precipitações terem ocorrido. “As chuvas estão atrasadas. Se elas vierem fortes, poderão prejudicar algumas safras e até possibilitar escassez de outras.”
No Mercado Municipal, os lojistas tentam driblar as oscilações de preço e escolher os melhores produtos para oferecer aos seus clientes. Com 25 anos de experiência no ramo, o comerciante Carlyle Lopes Barros destaca que legumes como batata-baroa e cenoura, que são cultivados embaixo da terra, já apresentam reflexos da seca. “As cascas estão porosas e ressecadas. O quiabo está miúdo e não quebra a ponta com facilidade. Algumas culturas necessitam ser irrigadas três vezes ao dia, mas com a falta de água, esse processo é reduzido a uma vez, e isso influencia no seu desenvolvimento”, lamenta.
Temeroso com o início do período chuvoso, Carlyle espera que o mesmo, se vier em abundância, não prejudique a produção. “A falta de chuva ou o excesso nunca são bons para os alimentos. Se a seca perdurar por mais tempo, alguns produtos podem vir a faltar no mercado, e quem tiver esses legumes para comercializar irá oferecer a preços bem altos.”
Outro comerciante, Hélio José Paulo Filho, pontua que a quantidade de alimentos ofertados tem permanecido a mesma, porém, a qualidade tem deixado a desejar. “As verduras estão mais duras e murchando com mais facilidade. Isso tudo é consequência da seca. O quiabo, que ficou 20% mais caro na última semana, sofreu com o frio, pois não consegue se desenvolver nessas condições. Agora está voltado ao preço normal.”
Com o box dedicado ao comércio de frutas, Cláudio Marinho da Costa conta que ainda não percebeu queda na qualidade dos produtos que oferta. “O calor é bom para as frutas, principalmente para acelerar o período de maturação. Embora existam mais perdas, o consumo e as vendas são bem maiores nesta época.”
Pesquisa
Diante da oferta de produtos com valores e qualidade variados, a presidente da Associação das Donas de Casa, Léa Ganini Costa, orienta os consumidores a pesquisarem fora dos supermercados. “Por mais que sejam um facilitador, a ida às feiras livres permite a negociação de preços, além de encontrar produtos diferentes.”









