Apenas a vacina

Indefinição de calendário de imunização coloca nas ruas a sucessão de 2022

Por Tribuna

O Ministério da Saúde não deverá apresentar agora um calendário de vacinação contra a Covid-19, apesar da exigência do Supremo Tribunal Federal (STF). Ainda não se sabe os desdobramentos desse impasse, mas as questões envolvendo a imunização no Brasil têm ganhado contornos muito além da saúde pública.

Ninguém duvida que o anúncio do governador de São Paulo, João Doria, que projetou o início da vacinação no estado em 25 de janeiro, tem interesses políticos, como observou o vice-presidente da República, Hamilton Mourão. A sucessão de 2022 há muito ganhou as ruas, e quem chegar primeiro na corrida de combate à Covid-19 acredita também amealhar pontos positivos junto ao eleitorado.

Em que pese a importância de um ente da federação pressionar a Presidência a agir, mesmo com interesses eleitorais, e principalmente quando este parece inerte diante de uma crise sanitária sem precedentes, a coordenação da vacinação no país sempre foi papel do Ministério da Saúde. Desde os anos de 1970, quando foi formulado o Programa Nacional de Imunizações (PNI), as ações são de responsabilidade do Governo federal, que dinamiza as demandas junto aos estados.

E o PNI é, desde então, uma referência internacional de política pública de saúde, por isso, muitas autoridades epidemiológicas aguardam do Ministério da Saúde uma medida. Mas não bastasse a pauta política, a vacinação contra a Covid-19 também já impacta os mercados financeiros. O otimismo com a imunização em alguns países favoreceu a alta de ativos acionários externos, abrindo espaço para valorização da Bolsa brasileira nos últimos dias. O Comitê de Política Monetária do Banco Central, em sua última ata, afirmou que os resultados promissores nos testes de vacinas devem melhorar a confiança e sinalizar uma recuperação da demanda no mercado interno no médio prazo.

paiNa segunda-feira, os técnicos da Anvisa anunciaram que vão trabalhar em tempo integral, inclusive nas semanas de Natal e Ano Novo, para avaliar e decidir sobre pedidos de autorização de uso emergencial e licenciamento das importações de vacinas. Para o cidadão comum, principalmente para aqueles dos grupos de riscos, o único desdobramento possível de todo esse imbróglio é o que permite, a curtíssimo prazo, o início da imunização em todas as cidades brasileiras.

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