Serviços sobem até 12,5% na cidade


Lavanderia Lavar aplicou reajuste de apenas 1% para manter clientela
O aumento de 9% do salário mínimo, que passou de R$ 622 para R$ 678 em janeiro deste ano, impactou os preços do setor de serviços em Juiz de Fora. Em alguns estabelecimentos, os reajustes chegaram a 12,5%. Os novos valores praticados por salões de beleza, academias de ginástica, cursos de idiomas e lavanderias já pesam no bolso dos consumidores, que buscam alternativas para não comprometer demais o orçamento.
Dentre os estabelecimentos pesquisados pela Tribuna, os salões de beleza foram os que apresentaram maior alta. O corte de cabelo feminino subiu até 12,5%, seguido de sobrancelha (11%), corte masculino (10%) e manicure (8,6%). O proprietário do Salão de Beleza Ideali, Carlos Otávio Toledo, afirma que o aumento das despesas interfere diretamente nos preços praticados pelo estabelecimento. "O aluguel da nossa loja quase dobrou de valor, mas sabemos que não podemos aplicar este mesmo reajuste nos nossos serviços," diz . No local, o corte masculino, por exemplo, subiu de R$ 30 para R$ 33.
Nas academias de ginástica, o maior aumento verificado foi de 8,6%, nos cursos de idioma 8,5% e nas lavanderias, 3%. A proprietária da Fibra Academia, Gabriela Quinet, afirma que, no estabelecimento, a alta foi de 6%. "Além da correção inflacionária, contabilizamos os investimentos em infraestrutura que estamos fazendo." Já o proprietário da Lavar Lavanderia & Serviços, Roberto Campos, aplicou reajuste de 1% para não perder a clientela. "O aumento foi pequeno para não interferir na movimentação dos clientes. Mas tem sido difícil segurar os preços porque o salário dos funcionários, as tarifas de água e luz, o aluguel e os insumos aumentaram."
Segundo o professor de finanças da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Fábio Gallo, o aumento de preços da área de serviços é sempre esperado. "É um efeito natural, que chamamos de cascata, pois são reajustes que estão vinculados à correção inflacionária", diz. Em janeiro, o Índice de Preços ao Consumidor- Semanal (IPC-S), medido pela FGV, fechou em 1,01%, o que representa aceleração em comparação com dezembro, quando o percentual ficou em 0,66%.
Na sua avaliação, a inflação está alta e pressionando toda a cadeia. "Não podemos esquecer que as empresas também são consumidoras. Se há aumento para elas, haverá repasse para seus clientes." Diante dos reajustes, o especialista orienta a pesquisa de preços e a mudança de hábitos. "Se o cabeleireiro está caro, posso pesquisar outros profissionais mais baratos. Se a academia está pesando no orçamento, posso fazer caminhadas", exemplifica.
A estudante Daiene Araújo, 26 anos, conta que adotou medidas para economizar. "Vou ao salão de beleza com menos frequência. A sobrancelha, por exemplo, faço em casa." O advogado Dalton Oliveira, 28 anos, diz que deixou a academia para andar de bicicleta. "É mais barato, pedalo aos finais de semana, e economizo no final do mês." O aumento de preços não fez a estudante Taísa Lemos,15 anos, deixar o curso de inglês. "As mensalidades estão R$ 40 mais caras, mas não vi nenhum investimento que justificasse. Mesmo assim, minha mãe vai continuar pagando."











