Olho clínico para vencer má fase
O cenário econômico nacional não anima. No primeiro semestre de 2014, o brasileiro conviveu com avanço da inflação e aumento da inadimplência, o que consolidou a retração do consumo e afetou as atividades em diferentes setores. Nos próximos meses, a possibilidade de retomada de crescimento depende, ainda, da definição sobre as diretrizes políticas que serão adotadas no país após a disputa eleitoral. Os economistas afirmam que este é um momento de cautela, mas as chances de recuperação existem. Já o empresariado tem se mostrado cada vez menos otimista, conforme mostram os sucessivos registros de queda do Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) e do Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei). Na contramão dos números, porém, empresários de Juiz de Fora enfrentam o momento de incerteza a partir da experiência adquirida em outros tempos difíceis e da aposta de que o trabalho é a principal ferramenta estratégica para superar qualquer adversidade.
A inflação atinge hoje o teto da meta estipulada pelo Governo federal para o ano. No acumulado de julho de 2013 a julho de 2014, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), fechou em 6,5%. Já os dados da Serasa Experian mostram que 57 milhões de brasileiros estão inadimplentes, aumento de 3,6% em relação ao mesmo período do ano passado. "O poder aquisitivo da população está comprometido, o que afeta diretamente o consumo. A baixa das vendas afetou o otimismo do empresariado que optou por frear os investimentos", explica o economista da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Flávio Bentes. O Icec registrou a nona queda consecutiva em julho, um decréscimo de 7% em comparação com o mesmo mês de 2013. A situação não se restringe ao comércio de bens e serviços: o Icei, referente aos empresários da indústria, apresentou redução de 6% em agosto deste ano ante agosto de 2013.
Na análise do professor de economia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e um dos coordenadores do projeto Conjuntura e Mercados Consultoria Jr (CMCJr), Fernando Salgueiro Perobelli, o termo "crise" como definição do atual período econômico não é o mais adequado. "Estamos passando por um compasso de espera. O cenário econômico ainda depende da definição do cenário político. É uma situação que exige cautela por parte do empresário." Ele destaca que há variação nos indicadores econômicos. "Enquanto a bolsa de valores vive um momento de retomada de crescimento, passamos por um período de inflação alta." Para Perobelli, apesar do avanço do índice inflacionário, a situação não é alarmante. "O aumento não tem ocorrido em grande escala. É um patamar que vem sendo mantido nos últimos meses", explica. "A inflação alta diminui a atividade econômica dos setores, em especial do comércio de bens não duráveis, serviços, lazer e alimentação fora de casa. O país está sentindo, o crescimento está mais lento, mas falar em crise é controverso."











