Contra crise, comércio deve se reestruturar


Por Tribuna

08/01/2015 às 07h00

Saída para o setor será rever custos fixos e valores

Saída para o setor será rever custos fixos e valores

O comércio amargou um dos seus piores anos em 2014. O movimento dos consumidores nas lojas do país cresceu apenas 3,7% ante a 2013, o pior resultado dos últimos 11 anos, conforme dados da Serasa Experian divulgados ontem. Em Juiz de Fora, a situação foi ainda pior. De acordo com o Sindicato do Comércio (Sindicomércio-JF), a maior parte dos segmentos que integram o setor não atingiu crescimento. Diante deste cenário, a entidade aposta que 2015 será um ano com poucas contratações, em que o empresariado local mudará o foco das vendas para a “reestruturação dos negócios”.

A análise dos dados da Serasa mostra que o resultado de 2014 no Brasil só não foi pior do que o verificado em 2003, quando o crescimento foi de 3,1%. A série histórica revela, ainda, o desaquecimento da atividade comercial do país nos últimos cinco anos, quando os percentuais apresentam redução anual gradativa. Em 2010, o índice de crescimento foi de 9,6%; em 2011, de 7,8%; em 2012, de 6,4%; e em 2013, de 5,2%.

Apesar da ausência de dados locais, o presidente do Sindicomércio-JF, Emerson Beloti, comenta que Juiz de Fora passou por um movimento semelhante. “Nós tivemos o nosso melhor ano em 2011 e, a partir de então, vivemos momentos de menor crescimento. Em 2013, a situação esteve bem difícil, mas 2014 conseguiu ser ainda pior.”

A escalada das taxas de juros no mercado doméstico, a alta da inflação, sobretudo durante o primeiro semestre do ano passado, e o menor grau de confiança dos consumidores por conta do endividamento são apontados como os principais fatores que contribuíram para o fraco desempenho da atividade comercial, segundo a Serasa. Beloti concorda que a conjuntura econômica nacional afetou negativamente o comércio juiz-forano. “Além de todos esses fatores, tivemos, ainda, a Copa do Mundo e as eleições que prejudicaram a maior parte dos segmentos.” Tanto no país quanto na cidade, os segmentos de supermercados, alimentação e bebidas, vestuário, acessórios e calçados foram os que conseguiram se sobressair e obter melhores desempenhos no ano passado. As apostas para 2015 são de mudanças. Na avaliação de Beloti, o empresariado local passará por um processo de “reestruturação dos negócios”. “Nos últimos anos, os lojistas mantiveram uma visão externa, com o foco voltado para as vendas. Com o endividamento dos consumidores e a queda dos resultados, este é o momento de olhar para dentro.” Isto, segundo ele, implica na busca por soluções internas. “Esta é a hora de avaliar os custos fixos, rever valores e, por exemplo, a possibilidade de ter a própria sede. Sabemos que 75% do comércio do Centro funcionam em lojas alugadas.”

Beloti descarta a possibilidade de uma revisão de custos gerar redução dos postos de trabalho no setor. “Não teremos um ano de muitas contratações, principalmente, no primeiro semestre, quando esses ajustes estão previstos. Mas não há demissões previstas.”

Icec

O Índice de Confiança dos Empresários do Comércio (Icec), medido pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), fechou 2014 com queda de 13,4% na comparação com 2013, o maior recuo dos últimos quatro anos. Para a entidade, a estagnação da economia e o menor crescimento das vendas nos últimos 11 anos são responsáveis pela perda de confiança por parte dos empresários do comércio.”Dadas a trajetória recente do índice e a ausência de sinais claros de recuperação dos fatores de sustentabilidade das vendas do setor, o ano de 2015 deverá impor novos desafios à retomada da confiança por parte dos empresários”, afirma o economista da CNC, Fábio Bentes. Para 2015, a entidade projeta alta de 3,6% nas vendas.