CAMINHO SEM VOLTA
A discussão sobre as armas, sem o dispensável plebiscito articulado pelo senador José Sarney, deve ser levada adiante, pois, independentemente de o brasileiro ser a favor ou não da comercialização, o foco deve ser na sua retirada das ruas. Hoje, em qualquer parte do país, é muito mais fácil comprar uma arma ilegal do que se submeter aos rigores da legislação para uma aquisição formal. E é este o problema. Enquanto a venda oficial faz uma série de exigências, no outro esquema basta ter o dinheiro. A maioria das armas envolvidas em crime é de fundo ilegal, sem identificação do proprietário.
A proposta de incentivar o recolhimento destes artefatos é importante, bastando ver os números iniciais de quase um milhão já recolhidos. E quantos ainda estão nas ruas? Como não há um cadastramento nesse sentido, ficam apenas as especulações como ponto de referência. Muito ou pouco, o ponto crucial é investir no seu recolhimento. O presidente do Congresso, mesmo cercado de boas intenções, iria apenas criar uma discussão insossa, enquanto o debate carece de outro foco.
Mas não basta recolher. O Governo, através de suas instâncias de segurança, tem que assegurar que as armas recolhidas não voltem às ruas. Hoje, não há garantias de que fora de cena serão extintas de vez ou colocadas em arquivos sem acesso das pessoas mal-intencionadas. No início do ano, quando a polícia do Rio fez uma das mais importantes ações de sua história ocupando a Vila Cruzeiro e o Complexo do Alemão – dois dos mais instáveis territórios da cidade -, o volume de armas recolhidas foi impressionante. Um mês depois, vários policiais, alguns deles da cúpula da Segurança, foram presos por comercializarem o material recolhido, devolvendo-o aos bandidos mediante altas cifras.
O Brasil é um dos países com um dos maiores índices de homicídios por armas de fogo, sendo obrigado, pois, a investir no seu saneamento, mas não basta o discurso e nem o apelo às pessoas de bem. É preciso tirá-las das mãos dos criminosos e assegurar que será um caminho sem volta.











