FONTE PRIMÁRIA
Um dos maiores desafios das instâncias de Governo é enfrentar o consumo de drogas, que é endêmico e envolve cada vez mais crianças e adolescentes. As imagens apresentadas pela Tribuna, na semana passada, de um menino de apenas 9 anos fumando uma substância semelhante à maconha, é apenas parte de um drama nacional que ocorre sobretudo nas regiões mais carentes do Norte e Nordeste. Na edição de ontem, o jornal O Globo também revelou casos que indignam. Até bebês com dois anos de idade estão sendo viciados. Na primeira fase, a droga é ministrada pelos pais e, depois, com mais idade, pelos traficantes, que fazem deles sua massa de manobra ora para furtar a própria família, ora para atuar como mula no transporte da droga.
Todas as políticas de combate à violência têm, necessariamente, que passar pelo debate sobre consumo e tráfico de drogas, pois são a fonte primária de toda sorte de ocorrências, como furtos, roubos e homicídios. Além disso, é preciso envolver na discussão o viés de saúde pública, a fim de estabelecer ações de recuperação dessas crianças e desses adolescentes, que hoje são vítimas, mas que podem amanhã se transformar em atores, executando as mesmas funções dos seus atuais algozes.
Na marcha para Brasília, no mês que vem, prefeitos de todo país, além de cobrarem repasses mais generosos para seus caixas, vão incluir na agenda uma discussão sobre o crack, já que este deixou de ser uma droga das metrópoles para disseminar-se pelo interior. Hoje, não há nenhum município protegido, o que força os prefeitos a pedirem ajuda para combater a nova demanda. O problema se agrava com o surgimento de novas drogas, como o oxi, mais barato e devastador do que o próprio crack.
Não há outro caminho a não ser bater de frente com esse problema que desconstrói famílias e relações. A ação é coletiva e não pode esperar, sob o risco de ingresso num caminho sem volta.











